Reunião de Merkel e Sarkozy não segura bolsas da Europa

Os mercados passaram a maior parte do dia perto da estabilidade, enquanto Merkel e Sarkozy se reuniam em Berlim

Londres – Os principais índices das bolsas europeias fecharam em queda, nesta segunda-feira, após a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, e o presidente da França, Nicolas Sarkozy, não conseguirem inspirar um sentimento de alta, segundo operadores. Além disso, um dado pior que o esperado sobre a produção industrial alemã ajudou a desanimar os mercados.

O índice pan-europeu Stoxx 600 caiu 0,45%, ou 1,11 ponto, fechando em 246,42 pontos. O Ministério da Economia alemão informou que, em termos ajustados, a produção industrial em novembro recuou 0,6% ante outubro, quando a expectativa era de queda de 0,4%. A atenção dos investidores começa agora a se voltar para o outro lado do Atlântico, com o início da temporada dos balanços do quarto trimestre de 2011 das companhias norte-americanas.

A farmacêutica GlaxoSmithKline recuou 4,1%, após divulgar resultados mistos da fase 3 de seus estudos sobre o medicamento Relovair. Os mercados passaram a maior parte do dia perto da estabilidade, enquanto Merkel e Sarkozy se reuniam em Berlim. Após o encontro, apresentaram-se como uma frente unida pelo euro, dizendo que houve progresso nos planos para fechar um pacto para fortalecer os controles orçamentários na região.

Merkel, porém, disse que a Grécia precisa concluir seu desconto na dívida logo, ou não receberá o segundo pacote de ajuda. No fim de semana, uma reportagem de um jornal alemão diz que o segundo pacote grego precisará ser maior do que os 130 bilhões de euros planejados, por causa da piora em seus números orçamentários.


O índice ASE Composite, da Bolsa de Atenas, recuou 1,7%, chegando aos 636,52 pontos, liderado por um recuo de 3,4% no National Bank of Greece.

“Acho que o que os mercados estão esperando é por um pouco de liderança”, afirmou Mike Lenhoff, estrategista-chefe do Brewin Dolphin. “Para ser honesto, não achava que o encontro mantido hoje entre os dois líderes fosse dar muito para os mercados”, ponderou ele. “Se até março eles conseguirem de fato concordar em um patamar muito específico que abrirá caminho para a integração fiscal, então acho que isso será de fato muito bom”, disse Lenhoff.

As ações do UniCredit foram as principais perdedoras do Stoxx 600, recuando 11%. Nesta segunda-feira, o banco começou seu programa de 7,5 bilhões de euros para aumento do capital, que oferece duas ações novas para cada uma das atualmente mantidas. Na semana passada, os papéis do UniCredit caíram 36%, após a instituição anunciar em 4 de janeiro que iria emitir ações com desconto de 43% para descontar a elevação de capital.

Outros bancos italianos continuaram a cair, como na semana passada, entre eles Banca Monte dei Paschi di Siena (-14,4%) e Mediobanca Banca di Credito Finanziario (-6,9%).

A dívida italiana está sob pressão, fazendo o yield (retorno ao investidor) dos bônus de 10 anos do governo italiano subir 15 pontos-base, para 7,12%.

Em Paris, o índice CAC 40 recuou 0,31%, para 3.127,69 pontos. Os papéis de bancos continuaram a cair, com Société Générale perdendo 3,6%. Peugeot caiu 4,4%, para 12,23 euros, após analistas do Citigroup cortarem o preço-alvo da ação de 17 euros para 14 euros.

Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX caiu 0,67%, para 6.017,23 pontos. BMW registrou alta de 2,3%, após informar que suas vendas no ano passado subiram 14,2%. Rival no setor automobilístico, a Daimler subiu 0,7%. Já o Commerzbank caiu 3,8%.

O índice FTSE 100, da Bolsa de Londres, fechou em baixa de 0,66%, para 5.612,26 pontos, pressionado pelas perdas da GlaxoSmithKline. Os bancos também estiveram em baixa, com Barclays (-4,5%) e Lloyds (-3,4%).

Em Milão, o índice FTSE MIB perdeu 1,67%, para 14.401,55 pontos. Em Madri, o índice Ibex 35 caiu 0,12%, para 8.278,90 pontos, com os bancos entre os piores desempenhos, como BBVA (-2,7%) e Santander (-0,1%). O índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, fechou em queda de 0,54%, em 5.569,19 pontos. As informações são da Dow Jones.