Quedas no governo Dilma ainda deixam ações sobrevalorizadas

Reeleição indica a probabilidade de que haja mais prejuízos antes de as ações parecerem atrativas para o UBS

Nova York – Mesmo com todas as quedas nas ações que os investidores viram no Brasil durante o primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff, sua reeleição indica a probabilidade de que haja mais prejuízos antes de as ações parecerem atrativas para o UBS e a USAA Investment Management.

Depois que o Brasil entrou em recessão neste ano e que a inflação ultrapassou o limite superior da meta do Banco Central, o Ibovespa está operando à 9,8 vezes os lucros estimados, o menor valuation em 7 meses.

As ações não serão atrativas enquanto os múltiplos não cairem para cerca de 8 vezes, segundo o UBS e a USAA. O Ibovespa caiu 5 por cento hoje até as 11 da manhã, em São Paulo, caminhando para a maior queda desde 2011.

O Ibovespa perdeu metade de seu valor em dólares durante os quatro primeiros anos de Dilma no cargo, em meio ao crescimento mais lento entre todos os presidentes nas últimas duas décadas.

Embora os eleitores tenham garantido a ela um segundo mandato como resultado do baixo desemprego e dos ganhos salariais, Dilma agora precisa convencer os investidores de que ela é capaz de recuperar uma economia estagnada e controlar a inflação, que ficou acima da meta ao longo de seu primeiro mandato.

“É cedo demais para supor que é uma oportunidade de compra”, disse Geoffrey Dennis, chefe de estratégia de mercados emergentes do UBS em Boston, por telefone.

“Você precisa de um nível mais baixo para fazer as pessoas dizerem ‘eu realmente preciso comprar’. A menos que você realize excelentes iniciativas de política, excelentes anúncios de equipe. Isso pode acontecer, mas é uma questão de ‘ver para crer’”.

A reeleição de Dilma foi uma “decepção” para os investidores e deverá provocar novas perdas, segundo Dennis. O Ibovespa precisaria cair mais 15 por cento a 20 por cento em dólares em relação ao fechamento da semana passada antes de se tornar atrativo, disse ele.

Disputa mais apertada

Dilma Rousseff, 66, recebeu 52 por cento dos votos, com 99,99 por cento dos votos contabilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral, em Brasília. O senador Aécio Neves, ex-governador de Minas Gerais, teve 48 por cento. 

A vitória dela estende a presidência do Partido dos Trabalhadores, o PT, para 16 anos, um recorde. Foi o resultado mais apertado em uma eleição presidencial desde o retorno à democracia em 1985.

Para a Pioneer Investment Management, uma razão preço/lucro abaixo de 10 vezes para o Ibovespa seria barata demais para ignorar.

“A decepção dos últimos anos e as oportunidades desperdiçadas para realizar reformas claramente mudaram o sentimento contra Dilma”, disse Andrea Salvatori, chefe de pesquisa de ações de mercados emergentes em Londres da Pioneer, que tem cerca de US$ 216 bilhões sob gestão, por e-mail, antes da eleição.

“Apesar da nossa visão negativa a respeito das ações — ou da falta delas — pela administração Dilma, nós também acreditamos que é uma presidência do PT que tem a melhor oportunidade de realizar uma reforma no Brasil”.

A projeção é que a maior economia da América Latina se expandirá 1 por cento no ano que vem, segundo a pesquisa semanal do Banco Central.

É metade do ritmo médio registrado durante os três primeiros anos de Dilma na presidência e um quarto da taxa obtida nos dois primeiros mandatos de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva. A inflação anual subiu para 6,75 por cento em setembro.

Ao longo da campanha, Dilma rejeitou propostas da oposição para reduzir os empréstimos subsidiados por bancos estatais e reduzir o número de ministérios. Ela também anunciou que o ministro da Fazenda, Guido Mantega, deixaria o governo se ela fosse reeleita.

“O que ela tem feito tem sido bastante negativo para o mercado”, disse Pearlyn Wong, analista de investimentos em Cingapura do Bank Julius Baer, que gerencia cerca de US$ 288 bilhões. “Nós não recomendamos comprar”.