Petróleo cai com previsões de excesso de oferta persistente

Nesta terça-feira, os preços abriram em alta em reação aos dados das importações chinesas de petróleo em setembro

Nova York – Os preços do petróleo voltaram a fechar em queda nesta terça-feira, 13, revertendo as altas da manhã, em meio a novas previsões de excesso de oferta do produto em 2016.

Ontem, o petróleo havia caído 5,1% em Nova York, em reação ao informe de que a produção dos países da Opep cresceu em setembro.

Nesta terça-feira, os preços abriram em alta em reação aos dados das importações chinesas de petróleo em setembro.

Elas cresceram 1,4% em comparação com o mesmo mês de 2014; o crescimento foi muito menor do que a média de 8,8% de expansão registrada nos primeiros nove meses do ano, mas analistas lembraram que os desembarques de petróleo no porto de Tianjin se reduziram bastante depois de uma explosão ocorrida ali no começo de agosto.

“A China relatou importações de commodities muito sólidas em setembro, o que deve ajudar a reduzir os temores sobre a demanda que têm se espalhado no mercado de commodities nos últimos meses. Mas a desaceleração econômica na China e a preocupação com a queda da demanda global são as grandes dúvidas”, comentou o analista Carsten Menke, do Julius Baer. Em Nova York, o preço do petróleo bruto alcançou a máxima intraday de US$ 48,43 por barril.

Os preços voltaram a cair depois da divulgação do relatório mensal da Agência Internacional de Energia (AIE). Ele diz que a demanda global, que deve alcançar neste ano 1,8 milhão de barris por dia, o nível mais alto em cinco anos, deverá cair para 1,2 milhão de barris por dia em 2016.

Mas o Irã deverá elevar sua produção para 3,6 milhões de barris por dia, de 2,9 milhões de barris por dia atualmente, fazendo crescer ainda mais o excesso de oferta de petróleo.

“Uma desaceleração marcante no crescimento da demanda no próximo ano e a chegada prevista de mais petróleo iraniano no mercado provavelmente vão manter um excesso de oferta no mercado até 2016”, diz o relatório.

Em nota a clientes, analistas do Citigroup comentaram que “há uma longa lista de fatores negativos que não desapareceram do mercado, relacionados ao crescimento dos estoques, à produção da Opep ou à demanda por petróleo. Há muitas razões pelas quais o sentimento do mercado provavelmente vai se tornar negativo no futuro”.

Na New York Mercantile Exchange (Nymex), os contratos de petróleo bruto para novembro fecharam a US$ 46,66 por barril, em queda de US$ 0,44 (-0,93%).

Na Intercontinental Exchange (ICE), os contratos do petróleo Brent para novembro fecharam a US$ 49,24 por barril, em baixa de US$ 0,62 (-1,24%).