Perdas do real surpreendem até campeões de previsões

A queda de 23% do real em relação ao dólar nos últimos 12 meses foi a maior entre as moedas de mercados emergentes

Nova York – A desvalorização do real completa um ano e surpreende até mesmo os analistas que mais acertam em suas previsões.

As estimativas do Crédit Agricole para a taxa de câmbio, cujas projeções foram as mais acertadas nos últimos seis trimestres, ficaram em média 7,9 por cento fora dos níveis atingidos pelo real, segundo estudo da Bloomberg Rankings. Esse desvio aumentou em relação à média de 5,9 por cento ao final de março, quando o BNP Paribas era o mais próximo do acerto.

A queda de 23 por cento do real em relação ao dólar nos últimos 12 meses foi a maior entre as moedas de mercados emergentes e superou as previsões mais pessimistas. Com a desvalorização do real, investimentos em títulos do governo tiveram uma perda de 6,3 por cento em dólares no período, mesmo com a queda de 366 pontos-base no rendimento médio do papel, para 8,6 por cento, segundo índices do JPMorgan Chase & Co.

“É um cenário muito difícil para previsões”, disse Mike Moran, estrategista de câmbio do Standard Chartered, que ficou na liderança entre os que mais acertam nas previsões em dois estudos anteriores da Bloomberg. “Você pode ter modelos para o produto interno bruto, para a economia, mas a função de reações a políticas econômicas e riscos políticos são mais difíceis de prever.”