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Última atualização 18/08/2017 - 17:20 FONTE

O efeito Selic na bolsa

Entre outros efeitos benéficos para tirar a economia do atoleiro, a decisão do Comitê de Política Monetária que reduziu em 0,75 ponto percentual a taxa de juro do país, para 13% ao ano, deve ajudar a impulsionar a bolsa neste início de ano.

“A decisão aumenta a confiança de que a economia vai ter uma recuperação mais rápida”, afirma Carlos Kawall, economista-chefe do banco Safra. Segundo ele, a expectativa é de que a postura mais agressiva do BC impulsione ações de empresas do varejo mais dependentes de uma retomada do crédito. A baixa da Selic também deve trazer uma alta para as construtoras – um dos setores mais afetados pela crise – e impulsionar ainda para o setor de infraestrutura – já que reduz os juros para a tomada de novos empréstimos.

Por enquanto, não há uma tendência clara entre o teórico grupo das beneficiadas. Enquanto as ações da Via Varejo, dona das Casas Bahia e Ponto Frio, acumulam quedas de 6,98%, e as da Magazine Luiza, de 8,17%; os papéis das construtoras Cyrela e Gafisa, por sua vez, têm alta de 13,9%.

A queda também deve ajudar as endividadas da bolsa, já que grande parte delas têm seus débitos atrelados à taxa Selic. A dívida das companhias de capital aberto está em 943 bilhões de reais.

A expectativa de analistas é de que uma queda da Selic ao longo do ano – que na visão de muitos economistas deve terminar o ano próxima de 9,5% – ajude o Ibovespa a ter um novo ano de alta, após a valorização de quase 39% em 2016. Para a XP Investimentos, o índice deve terminar o ano perto dos 79.450 pontos – uma alta de 27% em relação aos 62.400 pontos atuais.

Obviamente, ainda há muitos obstáculos para chegar lá. O Banco Central ressaltou em documento sobre a decisão de juros que a incerteza do cenário externo e a demora nas reformas econômicas necessárias (como a reforma da Previdência) podem comprometer a queda na inflação e, em consequência, a queda nos juros. Economistas e analistas ressaltam que o ajuste das dívidas dos estados e da União e as incertezas no campo político continuam como o maior risco do Brasil em 2017. Neste sentido, uma Selic sozinha não faz verão. Mas ajuda.