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Zico e Pelé durante jogo da Seleção Brasileira em 1983
São Paulo – Uma disputa virtual entre Zico e Pelé, que juntos mesmo só jogaram em partidas de exibição, agitou o mercado financeiro brasileiro nesta sexta-feira. Isso porque uma matéria exclusiva da última edição de EXAME revelou que a bolsa de Nova York (NYSE) tem um plano que visa a entrada no Brasil para abocanhar uma fatia do mercado de ações. Segundo a reportagem, o projeto foi batizado com o nome do ex-craque do Flamengo.
A escolha do nome do galinho de quintino pode ser entendido com uma claro enfrentamento à BM&FBovespa (BVMF3), que tem Pelé como garoto-propaganda. Nova York, na verdade, já disputa com a Bovespa por meio das ADRs (American Depositary Receits) negociadas na Nyse, ou seja, papéis de 29 empresas brasileiras listadas por lá que representam ações na Bovespa e cujas taxas pagas pelos investidores são abocanhadas pela Nyse. O embate agora é pelas taxas pagas por aqui nas negociações com as 372 empresas listadas na brasileira.
EXAME apurou que o nome foi escolhido porque Zico é considerado pelos americanos um exemplo de talento e seriedade. O projeto já está sendo discutido com a Comissão de Valores Mobiliários e com o Banco Central e deve ser apresentado publicamente em agosto. As ações da bolsa brasileira reagiram ao anúncio e, na mínima do dia, chegaram a cair 5%, negociadas a 10,84 reais. Em 2012, contudo, os papéis ainda acumulam uma valorização de aproximadamente 14%, acima do Ibovespa. “Com sua plataforma de negociação, a Nyse espera atrair grandes investidores que não operam no Brasil — o que, em tese, poderia aumentar o tamanho do mercado local”, ressalta a reportagem. O escritório de advocacia JL Rodrigues foi contratado para ajudar nas negociações da americana.
Para Aloísio Lemos, da Ágora Corretora, a reação do mercado nesta sexta-feira se dá por conta da confirmação de mais um interessado em abrir uma plataforma alternativa de negociação de ações no Brasil, o que já é entendido como quase certo. “A queda pode ser um movimento exagerado porque o efeito concorrencial vem sendo considerado pelo mercado há algum tempo e isso aconteceria mais no longo prazo”, ressalta. Um relatório encomendado pela CVM sobre os efeitos da concorrência entre bolsas no Brasil, publicado em junho pela consultoria OXERA, concluiu que há espaço para mais uma empresa no Brasil. Os resultados, contudo, foram muito contestados pela BM&FBovespa.
Posição da BM&FBovespa
Na opinião de Edemir Pinto, presidente da bolsa, o relatório foi frustrante “e ainda apresentou números errados”, disse em uma entrevista recente para EXAME.com. Edemir falou que o estudo apresentou números diferentes sobre taxas praticadas pela bolsa e ainda teria subestimado os custos de infraestrutura. Na opinião dele, o relatório e a iniciativa da CVM são positivos, mas a conclusão percebida pelo executivo é de que o mercado não precisa de fragmentação agora. Para ele, a entrada de um novo concorrente será mais difícil conforme o tempo passa porque a BM&FBovespa tem investido em projetos que a deixariam em melhor posição competitiva frente outras empresas.
“Para uma nova bolsa ter sucesso aqui, precisaria chegar já com um modelo verticalizado”, disse. Ele já deixou claro que não irá ceder o uso da sua clearing house, a CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia), que é a contraparte para o mercado de ações e de renda fixa e responsável pela fiscalização dos pagamentos e recebimentos. Quando questionado sobre quem teria condições de já chegar no Brasil com esse modelo completo, Edemir disse que muitas bolsas no mundo estariam preparadas, mas nenhuma mostrou interesse em entrar no país. Mas esse pode ser o caso da NYSE que, segundo a reportagem, também está em contato com o BC. É a autoridade monetária que precisa autorizar uma nova clearing no país.
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