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O BNDES vai cortar a TJLP em 0,5 ponto percentual, para 5,5% ao ano, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega
São Paulo - A decisão do governo de reduzir a Taxa de Juros de Longo Prazo, praticada nos empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, pela primeira vez em três anos anos sinaliza novas reduções na taxa básica de juros pelo Banco Central.
O BNDES vai cortar a TJLP em 0,5 ponto percentual, para 5,5 por cento ao ano, disse o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a jornalistas ontem em Brasília. A taxa dos contratos de juros futuros com vencimento em abril de 2013 caíram 1 ponto-base, para 7,59 por cento, indicando que operadores esperam que o Comitê de Política Monetária do BC, capitaneado pelo presidente Alexandre Tombini, corte a Selic para 7,75 por cento até agosto, dos 8,5 por cento atuais.
O Copom já cortou a Selic em 4 pontos percentuais desde agosto, a maior redução entre os países do Grupo dos 20, para estimular a economia. A diferença entre a taxa overnight do contrato de Depósito Interfinanceiro e a TJLP caiu para 2,5 pontos percentuais, a menor diferença da história, antes do corte anunciado ontem.
“O anúncio do ministro da Fazenda do corte da TJLP é um sinal de que a Selic vai cair”, disse Carlos Thadeu de Freitas Gomes, ex-diretor do BC e atualmente economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio, em entrevista por telefone do Rio de Janeiro. “Não há dúvidas” de que a redução da TJLP reforça as expectativas de que o BC vá reduzir a Selic para 7,5 por cento, disse ele.
Diante dos cortes no juro básico para proteger a economia da crise de dívida na Europa, o rendimento das Notas do Tesouro Nacional da série F com vencimento em 2021 desabou 147 pontos- base desde agosto para 9,94 por cento, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
"Mais amigável"
A redução da TJLP vai afetar R$ 480 bilhões em empréstimos do BNDES, informou Mantega. Estados como Rio de Janeiro devem receber US$ 9,8 bilhões em créditos atrelados à taxa, como parte da iniciativa do governo para financiar projetos de infraestrutura antes da Copa do Mundo em 2014 e das Olimpíadas em 2016.
A queda na Selic levou o governo a baixar a taxa para os empréstimos subsidiados, disse Mauricio Rosal, economista-chefe da Raymond James Brasil.
“Os empréstimos do BNDES continuarão a ser mais amigáveis” do que outros empréstimos bancários, afirmou Rosal em entrevista por telefone de São Paulo.
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