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Draghi pediu para não apostar contra o euro, mas quem fez isso até agora se saiu bem
São Paulo – Esta quinta-feira era vista por muitos como o “dia D” para os mercados financeiros. Não era por menos. Na semana passada, os comentários do presidente do Banco Central Europeu , Mario Draghi, tinham criado uma enorme expectativa para a reunião da autoridade monetária nesta manhã. Porém, ao contrário do esperado, nada foi anunciado.
As bolsas passaram ao campo negativo em todo o mundo após a decisão do BCE. No Brasil, o Ibovespa abriu em queda e, na mínima do dia, registrou uma baixa de 1,7%. O pior cenário ficou para os mercados europeus. Na Espanha, o IBEX 35 marcou uma queda de 5,22% e, na Itália, o MIB recuou 4,2%. Em Wall Street, as bolsas também recuam.
“Acredito que a resposta cética dos mercados é compreensível, mas eu alertaria que é provável que Draghi prossiga com medidas de fato. Mas, é condicional que os governos também o sigam”, ressalta Charles Diebel, chefe de estratégia de mercado do Lloyds, em uma nota enviada para EXAME.com. Para ele, o discurso do presidente deixou a porta aberta para um “grande plano” nas próximas semanas.
O italiano “Super Mario”, que tem o apelido em alusão ao personagem do videogame e por ter salvado o seu país da bancarrota na década de 1990, entrou pelo cano. Ao contrário de medidas concretas, os investidores tiveram que se contentar apenas com promessas. Draghi disse que para atuar com firmeza precisa do comprometimento dos países.
“Hoje ele anunciou que o BCE não aprovou nada de concreto e que precisará de mais algumas semanas para conseguir realizar essa tarefa urgente. Foi um sinal ruim, que demonstra a forte oposição que essa política encontra junto ao Bundesbank e ao governo alemão. Como resultado, os mercados caíram em toda Europa, nos EUA e no Brasil”, diz Pedro Paulo Silveira, economista da TOV Corretora.
O que pode ser feito?
Draghi disse que possui ferramentas disponíveis para salvar a moeda única e que o “euro é irreversível”. Ele explicou que os países têm enfrenado problemas por conta das taxas de juros “excepcionalmente altas” nos mercados de títulos públicos, mas que o prêmio cobrado pelo mercado por conta de uma eventual ruptura do euro “são inaceitáveis e devem ser enfrentadas”. Para isso, contudo, o presidente-super-herói passou a bola para os governos.
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