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Trader grita no pregão em Nova York: quanto mais testosterona, mais os investidores assumem riscos
São Paulo – Uma ação só desaba no pregão. Pensando que a recuperação pode ser tão forte quanto a queda, um operador do mercado financeiro decide aplicar algum dinheiro no papel. Antes de que a reversão comece, mais tombo para as ações, o dinheiro investido quase vira pó e, de repente, a ação sobe.
Um processo desses pode fazer com que alguém ganhe muito dinheiro. Porém, por mais sangue frio que um trader tenha para esse tipo de operação, não existe maneira evitar o nervosismo. As mãos suam e o coração bate em ritmo acelerado.
Essas mudanças biológicas no mercado são tratadas no livro “The Hour Between Dog and Wolf: Risk Taking, Gut Feelings and the Biology of Boom and Bust”, em tradução livre, algo como “A hora entre o cachorro e o lobo: tomada de risco, coragem, e a biologia da alta e baixa”, de John Coates.
Estudo
Coates estudou por muitos anos as mudanças biológicas que acontecem com traders na hora de operar com aplicações de risco. A hora entre o cachorro e o lobo é uma expressão para batizar o momento em que o aplicador deixa de comprar ativos seguros e decide partir para ativos de alto risco.
Um desses estudos, publicado em 2008, acompanhou os operadores de um banco de investimento em Londres por oito dias. Coates, o autor do livro, e o pesquisador Joe Herbert passaram oito dias colhendo saliva de 17 traders em diferentes períodos do pregão para analisar mudanças nos níveis de testosterona, cortisol e adrenalina.
Uma das conclusões do estudo é de que os traders se saíam melhor e conseguiam melhor performances nos dias em que acordavam com um nível de testosterona mais alto no sangue.
O estudo dos pesquisadores também mostrou uma relação entre o cortisol (hormônio muito associado ao estresse) e a volatilidade do mercado: quando mais imprevisível o movimento dos papéis, mais cortisol no sangue.
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