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Crise | 22/09/2011 12:34

Por que o dólar está subindo tanto?

Moeda americana volta a ser porto seguro, enquanto Brasil afugenta os demais investidores com impostos

Antonio Cruz/ABr

Foguete lançado pelo Exército brasileiro

Dólar disparou em torno de 20% em relação ao real apenas em setembro

São Paulo – A resposta à pergunta do título desta matéria não é simples e nem única. Uma série de fatores ajuda a explicar a incrível disparada do dólar em relação ao real em setembro. A moeda americana, que no final do mês passada era comprada por 1,59 real, chegou a ser negociada a quase 1,95 real na sessão de hoje, uma valorização de 22,7%. A aversão ao risco por conta da crise da dívida nos países da zona do euro aliada às decisões polêmicas do governo brasileiro têm afugentado as “verdinhas” do país.

A evolução do dólar se intensificou nos últimos dias após os investidores descobrirem que a bastante esperada terceira rodada de ajuda do governo americano para reativar a economia, o chamado Afrouxamento Quantitativo 3 (QE3), era na verdade a “operação twist”. O mecanismo anunciado ontem pelo BC americano, o mais importante do mundo, visa a venda de 400 bilhões de dólares de títulos do governo de até 3 anos e a compra do mesmo montante em notas entre 6 a 30 anos. Assim, a ideia é subir o preço dos títulos de longo prazo, o que reduz o juro.

Apesar de não significar mais dinheiro na economia, a manobra foi desenhada para baixar os juros de longo prazo, o que ajudaria a reduzir também os cobrados em toda a economia, o que poderia dar um estímulo adicional para os consumidores e empresas. Mas a resposta não foi tão boa. “O mercado ficou claramente desapontado com a operação twist do Fed anunciada ontem”, ressalta Steve Barrow, analista do Standard Bank, em relatório. Os investidores correram dos ativos de risco e as bolsas despencaram. Com isso, o dólar voltou a brilhar.

“O dólar não está ficando mais forte, é o mundo que está mais fraco e com isto liquida-se o presente (fugindo para os ativos mais líquidos) em nome de um futuro que não está mais lá”, ressalta o economista-chefe da Gradual Corretora, André Perfeito. Para o economista-chefe da Prosper Corretora, Eduardo Velho, o aumento da compra do dólar não está, desta forma, associado ao ambiente de crescimento da economia americano. “As moedas emergentes tendem a sofrer no curtíssimo prazo, movimento similar ao ocorrido na eclosão financeira de 2008”, afirma. O economista não descarta a possibilidade de o dólar chegar a 2 reais.

A jornada do dólar ante o real em 1 ano mostra a recente reviravolta

 

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