Aguarde...

Dados | 22/06/2012 08:19

"Piada" do Credit Suisse encontra respaldo na inflação

A taxa implícita de inflação, medida pela diferença entre Notas do Tesouro Nacional série B de 2014 e os contratos de juros futuros de prazo similar, caiu 58 pontos-base

André Soliani e Blake Schmidt, da

Marcello Casal Jr/ABr

Guido Mantega sorri

Ministro Mantega ironizou a previsão do Credit Suisse de que o crescimento da economia desacelere para 1,5%

Brasília/São Paulo - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, ironizou a previsão do Credit Suisse Group AG, feita em 20 de junho de que o crescimento da economia desacelere para 1,5 por cento este ano. Um relatório de inflação no dia seguinte mostrou que a atividade econômica continua fraca, alimentando dúvidas sobre a estimativa de Mantega de um crescimento de mais de 2,7 por cento.

Os preços ao consumidor tiveram alta de 0,18 por cento até a metade de junho, menos que todas as estimativas em pesquisa Bloomberg com 42 analistas. O número reduz a inflação acumulada em 12 meses pelo nono mês consecutivo. A taxa implícita de inflação, medida pela diferença entre os rendimentos das Notas do Tesouro Nacional série B com vencimento em 2014 e os contratos de juros futuros de prazo similar, caiu 58 pontos-base no mês passado, para 4,75 pontos porcentuais. No México, a taxa subiu 77 pontos-base.

Os esforços do governo Dilma Rousseff para proteger o País da desaceleração global não tem convencido os analistas de que a economia vá deslanchar este ano. Mantega reduziu no mês passado sua estimativa inicial de crescimento do PIB, que era de 4,5 por cento, e os economistas consultados pelo Banco Central cortaram suas projeções para 2,3 por cento. Mantega disse a repórteres no Rio de Janeiro que a projeção do Credit Suisse era uma “piada” e que a economia “vai crescer muito mais.”

“Entre o cenário de crescimento do mercado e o do ministro da Fazenda, o de mercado parece mais coerente dado os indicadores econômicos recentes”, disse André Perfeito, economista-chefe da Gradual Investimento que prevê crescimento de 2,3 por cento, em entrevista por telefone de São Paulo. “Mantega cometeu ontem pelo menos um erro estratégico ao afirmar, de maneira bastante deselegante, que a projeção de PIB de 1,5 por cento de um instituição financeira era uma piada. O ministro deve ter se esquecido que projeções para 2012 em torno de 4 por cento podem ser consideradas tão engraçadas quanto.”

Perspectiva de juros

Em comunicado enviado por e-mail, o Ministério da Fazenda se recusou a fazer comentários para esta reportagem.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro com vencimento em janeiro de 2014, o mais negociado na bolsa paulista, caiu 3 pontos-base, ou 0,03 ponto percentual, para 8,05 por cento, após a divulgação do relatório do IPCA-15 ontem, com as apostas de que o BC vai baixar o juro básico para pelo menos 7,75 por cento.

O presidente do BC, Alexandre Tombini, reduziu a taxa Selic em 4 pontos percentuais desde agosto, no maior corte feito entre o Grupo dos 20. A Selic está no menor nível histórico de 8,5 por cento. O governo também cortou impostos sobre bens de consumo e industriais e aumentou os empréstimos de baixo custo pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social para estimular o crescimento, que se desacelerou de 7,5 por cento em 2010 para 2,7 por cento no ano passado.

Comentários  

Editora Abril

Copyright © Editora Abril - Todos os direitos reservados

>