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Eike: em 2012, os papéis de sua petroleira caíram 56,6%
São Paulo - "A euforia sucumbiu à realidade", sentenciou o artigo do Wall Street Journal, na semana passada, sobre a crise de confiança que assombra as petroleiras brasileiras. Não há tanto exagero na afirmação. Um levantamento da consultoria Economática com dados de 59 companhias de capital aberto da indústria do petróleo na América Latina e nos Estados Unidos mostra que as verde-amarelas OGX, HRT e Queiroz Galvão Exploração e Produção (QGEP) estão entre as que mais perderam valor nos últimos 12 meses - uma punição do mercado às promessas não cumpridas.
"É como se a bolha que começou a se encher em 2007 com a propaganda em torno do pré-sal e da Petrobrás estivesse murchando agora", disse o diretor do Centro Brasileiro de Infraestrutura, Adriano Pires. A crise de imagem, segundo ele, é muito mais um reflexo do que se prometeu lá atrás do que dos resultados em si, já que tradicionalmente essa é uma indústria de risco altíssimo.
A dimensão das dificuldades que seriam encontradas, no entanto, não ganharam tanto destaque por aqui e o reflexo disso o setor está colhendo agora. O petroleiro mais popular do país, Eike Batista, perdeu mais de R$ 13,2 bilhões em dois dias na bolsa depois de revisar para baixo a produção de seu primeiro campo de petróleo. No fim do mês passado, a empresa divulgou uma vazão de 5 mil barris de óleo por dia em cada poço do campo Tubarão Azul - quando a previsão inicial, tornada pública no início do ano, era de que a produção chegaria a 20 mil barris. "Se os dados atuais sofreram esse nível de ajuste, que confiança o investidor terá em relação às informações futuras", disse o analista do banco de investimento Geração Futuro, Lucas Brendler.
Em 2012, os papéis da OGX caíram 56,6%. O desempenho só não é pior do que o da empresa norte americana Dynegy, que há dez dias entrou com um pedido de concordata no Tribunal de Falências dos Estados Unidos e vem acumulando perdas na bolsa de quase 80% no ano.
Quem vem sofrendo há mais tempo no Brasil é a petroleira criada pelo ex-geólogo da Petrobrás, Marcio Mello. A empresa foi criada em 2010 com um projeto ousado de exploração de petróleo na região amazônica da Bacia do Rio Solimões. Antes da abertura de capital da empresa, Mello prometeu aos investidores que encontraria óleo abaixo da camada de gás existente na região, perfurando os poços numa profundidade maior.
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