São Paulo – Preço do petróleo cai, ações da Petrobras despencam. Essa é a rotina da estatal nos últimos meses e até aí, nenhuma novidade. Mas um levantamento revela que as ações da Petrobras tiveram a segunda maior queda entre as principais petroleiras do mundo nesse período de baixa do petróleo.

O levantamento feito pela provedora de informações empresariais Thomson Reuters Eikon, a pedido de EXAME.com, mostra o valor de mercado que cada uma das 30 maiores petroleiras do mundo perdeu ou ganhou a partir de 2014.

Entre as 30, apenas quatro ganharam valor no período. A maior petroleira do mundo, Exxon Mobil, perdeu 31% de seu valor de mercado entre janeiro de 2014 e janeiro de 2016.

Nesse período, a Petrobras encolheu 35 bilhões de dólares em valor de mercado, ou 68% de seu valor desde o início de 2014. A queda só não é maior do que a da colombiana Ecopetrol, que no período perdeu mais de 75% do seu valor de mercado.

Essas duas empresas têm, em comum, o fato de enfrentarem outros problemas além da desvalorização do petróleo. A avaliação de analistas é que, nestes casos, a queda no preço da commodity foi “a cereja do bolo” de problemas internos.

A Petrobras enfrenta uma dívida bruta que alcançou o valor de 127,5 bilhões de dólares no terceiro trimestre de 2015. A estatal é constantemente criticada por analistas e investidores que acreditam que a empresa não tem realizado desinvestimentos suficientes. Além disso, os papéis da petroleira também foram bastante impactados pela Operação Lava Jato.

“Se o problema da Petrobras fosse apenas o petróleo, ela seria bastante pressionada. Mas não enfrentaria quedas tão grandes nas suas ações”, explica Bruno Piagentini, analista da Coinvalores

A Ecopetrol fez uma série de investimentos nos últimos anos. A esperança era encontrar grandes poços de petróleo na Colômbia, que faz fronteira com a Venezuela, país que tem as maiores reservas dessa commodity no mundo. Mas os promissores poços até hoje não foram encontrados.

Em 2015, a meta original de produção da Ecopetrol era de 1 milhão de barris de petróleo por dia, mas foi reduzida para 760 mil barris. Para se ter uma ideia, em 2015 a produção média da Petrobras foi de 2,128 milhões de barris por dia.

Confira abaixo o resultado completo do levantamento. Os valores de mercado de janeiro de 2016 são referentes as cotações das ações até dia 20 de janeiro.  

Companhia País Valor de Mercado em janeiro de 2014 Valor de Mercado em janeiro de 2016 Variação do Valor de Mercado
Ecopetrol Colômbia US$ 45,98 bi US$ 11,36 bi -75%
Petrobras Brasil US$ 52.46 bi US$ 16.99 bi -68%
Devon Energy Estados Unidos US$ 25.12 bi US$ 8.87 bi -65%
Hess Estados Unidos US$ 27.00 bi US$ 10.07 bi -63%
Husky Energy Inc Canadá US$ 23.42 bi US$ 9.07 bi -61%
CNOOC China US$ 82.57 bi US$ 37.68 bi -54%
Repsol AS Espanha US$ 26.18 bi US$ 12.48 bi -52%
ConocoPhillips Estados Unidos US$ 86.55 bi US$ 42.90 bi -50%
Occidental Petroleum Estados Unidos US$ 75.70 bi US$ 45.53 bi -40%
Chevron Estados Unidos US$ 240.22 bi US$ 148.64 bi -38%
Royal Dutch Shell Holanda US$ 182.25 bi US$ 115.63 bi -37%
Canadian Natural Resources Canadá US$ 27.60 bi US$ 17.72 bi -36%
BP PLC Reino Unido US$ 129.95 bi US$ 85.93 bi -34%
Statoil ASA Noruega US$ 53.57 bi US$ 35.67 bi -33%
Exxon Mobil Estados Unidos US$ 438.70 bi US$ 304.64 bi -31%
Eni SpA Itália US$ 68.59 bi US$ 47.76 bi -30%
PTT PCL Tailândia US$ 22.69 bi US$ 15.85 bi -30%
EOG Resources Estados Unidos US$ 45.82 bi US$ 33.11 bi -28%
Suncor Energy Canadá US$ 39.19 bi US$ 29.05 bi -26%
Oil and Natural Gas Índia US$ 36.49 bi US$ 27.10 bi -26%
Marathon Petroleum Estados Unidos US$ 27.22 bi US$ 21.59 bi -21%
Total SA França US$ 114.21 bi US$ 96.85 bi -15%
Phillips 66 Estados Unidos US$ 46.24 bi US$ 41.04 bi -11%
PetroChina China US$ 211.05 bi US$ 195.02 bi -8%
Rosneft Rússia US$ 34.14 bi US$ 31.47 bi -8%
Gazprom Rússia US$ 8.96 bi US$ 8.68 bi -3%
Reliance Industries Índia US$ 42.51 bi US$ 48.17 bi 13%
Valero Energy Estados Unidos US$ 27.19 bi US$ 31.53 bi 16%
Surgutneftegaz Rússia US$ 15.53 bi US$ 19.65 bi 27%
Indian Oil Corpn Índia US$ 7.50 bi US$ 14.54 bi 94%

Fonte: Thomson Reuters Eikon

Petróleo em queda

A queda do preço do petróleo tem uma série de "culpados". Em especial, está o aumento da produção dessa commodity, principalmente nos Estados Unidos, ao mesmo tempo em que lugares como Europa e Ásia diminuíram a demanda.

Outra fator importante foi a recusa, no fim de 2014, das nações que fazem parte da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) em reduzir seu teto de produção, independentemente do preço no mercado internacional.

Com tudo isso, hoje a produção de petróleo é maior do que a procura e os estoques estão bastante elevados. 

Futuro

Empresas vêm cortando sua produção de petróleo. A Petrobras, por exemplo, anunciou a redução de produção em 2016 de 2,185 milhões para 2,145 milhões de barris por dia. 

“O maior temor agora é o Irã”, comenta Walter de Vitto, analista de petróleo da consultoria Tendências

No último dia 16 as sanções econômicas ao Irã, detentor de 10% da reserva mundial de petróleo, foram suspensas. O país agora deve voltar rapidamente e com força ao mercado. O Irã afirma ter condições imediatas de elevar a produção e as exportações em 500 mil barris de petróleo por dia. 

A expectativa da consultoria Tendências é de que o preço do barril de petróleo volte a subir no fim do ano, quando os estoques estarão menores. A previsão é de que o barril termine o ano próximo dos 45 dólares e tenha novas altas em 2017. 

“A boa notícia é que não vemos a demanda diminuindo, ela está em um patamar saudável”, comenta Vitto.

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