E agora a Petrobras já vale menos que o WhatsApp. Com a ação a R$ 4,45, o valor de mercado da empresa está em US$ 18 bilhões.

O Facebook pagou US$ 19 bilhões pelo Whats em 2014.

O WhatsApp ainda não tem um modelo de negócio para produzir receita de verdade. A Petrobras tem, desde o governo Vargas. O problema é que a nossa petroleira tem outra coisa que o Whats não tem: uma dívida de US$ 128 bilhões.

Isso dá 50% de todo o valor de mercado do Facebook (ou 100% da Volkswagen global, se você preferir um exemplo da velha economia). Pior: só os juros dessa dívida, a maior do mundo, comem tudo o que a empresa tira de lucro.

Se você fosse a Petrobras, estaria trabalhando só para pagar os juros do cartão de crédito, e precisaria ir tirando cartões novos para pagar as contas de casa. Por mais que você trabalhasse, sua conta continuaria vazia, igual o caixa da Petrobras.

Sim, toda empresa grande tem dívida. Mas Petrobras joga em outro campeonato, sozinha.

A Shell, por exemplo, deve US$ 45 bilhões, mas produz o dobro da Petrobras, e também tem seus projetos caríssimos, e também sofre com a baixa recorde do petróleo. O buraco da Petrobras é único.

E fica mais embaixo. Dos quaquilhões que a nossa petroleira deve, US$ 24 bilhões são para agora – a empresa precisa quitar em dois anos, se não vira calote. US$ 24 bilhões é o valor de mercado do Carrefour (ou da Netflix, se você preferir algo da nova economia).

Ou seja: a Petrobras precisa achar um Carrefour de dinheiro em dois anos para continuar viva.

Pense nisso quando alguém te aconselhar a comprar ações da Petro porque elas estão “baratas” demais. Diante da situação da empresa, nenhum valor é barato demais.

O governo, principal acionista da coisa, provavelmente vai ter que arranjar os caminhões de dinheiro que a empresa precisa para quitar pelo menos uma parte desses US$ 24 bi que vencem até o final de 2017.

Mas quem se complica aí são os outros acionistas. Se o governo fizer isso, será em troca de uma fatia ainda maior das ações da empresa – num processo cujo nome técnico é “capitalização”.

Hoje o governo é dono de 8 bilhões de ações da Petrobras. Como existem 13 bilhões de ações da Petrobras, o Estado é dono de 60% da companhia. Isso dá 60% da empresa. Um sujeito que tenha um lote de 100 ações é dono de 7,7 bilionésimos.

Agora vem a sacanagem. Se o governo colocar, tipo, US$ 10 bilhões na Petrobras a título de “capitalização” a empresa vai “pagar o governo” emitindo ações novas e dando para ele. Isso cria uma “inflação acionária”.

O total de ações cresce, mas sem que a empresa tenha aumentado de valor.

Vamos dizer que cresça de 13 bilhões para 20 bilhões de papeis. O dono de todas as ações novas, como a gente viu, é o governo.

Nisso, o Estado passaria a ter 15 bilhões de ações (8 bi das velhas + 7 das novas). Ou seja: passaria a ser dono de 75% da companhia.

E o coitado, filho de Deus, que colocou uma parte do FGTS em ações da Petrobrás, ou que confiou na ideia de virar sócio do governo? O que acontece com as ações dele? Passa a valer menos do que antes.

Um lote de 100 deixa de equivaler a 8 bilionésimos da empresa. Se tornam 4 bilionésimos. No jargão financeiro, esse acionista acaba “diluído”. Isso não tem nada de alienígena: foi exatamente o que aconteceu na última capitalização da Petrobras, em 2010.

Pense nisso quando alguém aconselhar você a comprar ações da Petro porque elas estão “baratas” demais. Diante da situação da empresa, e com essa diluição no horizonte, valor nenhum é barato demais. Qualquer coisa acima de R$ 0,00 é pura aposta.

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