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São Paulo - A decepção com a ausência de medidas firmes do Banco Central Europeu contra a crise, somada à frustração de quarta-feira causada pelo Banco Central americano (Fed) – que também não anunciou nenhum estímulo econômico – atrasou a recuperação dos mercados que era esperada para agosto. Dez entre dez estrategistas diziam que as reuniões de ambos BCs seriam decisivas para as perspectivas para o mês. E de fato foram, só que para pior.
Entre as medidas do BCE esperadas para esta quinta-feira estavam a recompras de títulos dos países no mercado secundário (o que baixaria os juros), novos cortes de juros e um programa LTRO (Long-Term Refinancing Operations), que consiste em oferecer capital a um custo mais baixo para os bancos da região. Mas nada foi anunciado.
Sem “Super Mario”, apelido dado ao italiano Draghi por salvar o seu país da bancarrota na década de 1990, ou “Helicóptero Ben” – alcunha lançada para o presidente do Fed Ben Bernanke por defender em 2002 a famosa frase do economista Milton Friedman no qual ele sugere jogar dólares do helicóptero para lutar contra a deflação – as projeções para o mês pioraram.
Volatilidade
Hamilton Moreira, estrategista do BB Investimentos, acredita que com a frustração das expectativas, o impacto vai ser negativo para boa parte do mês. Nas primeiras semanas de agosto, as bolsas devem enfrentar volatilidade com tendência de baixa. “Pode ser que depois disso, na última semana do mês, o mercado se recupere por conta de especulações para a próxima reunião do Fed, que ocorre no dia 13 de setembro”, diz. O BCE volta a se reunir no dia 6 de setembro.
O analista acredita também que as medidas prometidas por Draghi vão se concretizar. “Tem muito dinheiro no mercado, então eles estão esperando um pouco antes de injetar mais. Mas alguma coisa eles vão ter que fazer porque os indicadores estão muito baixos no mundo todo”, explica o analista. Ele ressalta, no entanto, que um anúncio do BCE referente à tão aguardada compra de títulos só deve sair dentro de 1 mês porque a liberação para essa compra precisa passar pelo parlamento alemão – que não tem se mostrado muito a favor.
Charles Diebel, chefe de estratégias de mercado do Banco Lloyds, é cauteloso com a reação do mercado. “Eu chamaria atenção para o fato de que é provável de que Draghi de continuidade às ações atuais”, disse. Ele destaca ainda que a decepção do mercado não é surpreendente, mas que o anúncio do BCE estabelece as bases para o “grande plano” a ser anunciado nas próximas semanas.
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