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Produtos financeiros teriam sido "criados para quebrar"
São Paulo – Uma troca de e-mails entre bancos e fundos durante 2006 revelada nesta semana ajuda a entender o processo que culminou na explosão de produtos financeiros que não tinham lastro ou que eram tão complicados que nem os próprios gestores os entendiam. As conversas estão relatadas em uma ação movida pelo banco italiano Intesa Sanpaolo contra o fundo Magnetar, aponta o site da organização independente de jornalismo ProPublica.
A administração da instituição italiana alega que o hedge fund americano teria criado produtos no valor de até 40 bilhões de dólares e os vendido para distribuidores ao mesmo tempo em que apostava contra os mesmos. O mecanismo fraudulento teria contribuído para a eclosão da crise de 2008, quando vários desses instrumentos alternativos de investimentos se provaram esqueletos. O Intesa afirma que alguns comprados pelo banco teriam gerado um prejuízo de 180 milhões de dólares. Segundo a acusação, eles teriam sido “criados para quebrar”.
A gestora Putnam Investments foi a gerente do acordo, denominado Pyxis 2006, que envolveu a criação de um pacote de 1 bilhão de dólares dos famigerados CDOs (Collateralized Debt Obligations) - cujos pagamentos são baseados em uma carteira de créditos hipotecários. Como ressalta o artigo da ProPublica, os gestores de produtos como o Pyxis devem agir em defesa dos interesses dos investidores. Porém, segundo o Intesa, a Putnam participou de um esquema com o Magnetar e o banco francês Calyon, que venderam o produto à Putnam.
Aposta contra
Em um e-mail de 14 de junho de 2006, um executivo da Calyon perguntava aos participantes da operação (incluindo aí o Deutsche Bank e o Magnetar) se a participação do hedge fund deveria ser mantida “atrás das cortinas e fora dos documentos” da “mesma forma que fizemos” com outro CDO da Magnetar. (veja aqui a troca de e-mails em cortes do processo editados pela ProPublica). O Intesa alega que precisaria ter sido avisado do fato que o mesmo fundo que ajudou a criar o produto apostava contra ele.
Os acusados no caso do banco italiano negam que tenham criado uma conspiração e que os e-mails foram removidos do contexto. Ou seja, afirmaram que a questão sobre esconder o Magnetar da transação não tinha a ver com o fato de o fundo apostar contra o produto, fato que até então desconheciam. A SEC (Securities and Exchange Commission), regulador do mercado de capitais americano, multou em junho de 2011 o banco JP Morgan em 154 milhões de dólares por um caso parecido envolvendo o Magnetar.
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