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São Paulo – A ânsia dos políticos em controlar os mercados financeiros durante a crise e acusá-los de culpados pela desconfiança é um erro que precisa ser repensado. “Há muitos mal-entendidos embutidos na crença de que os mercados estão de alguma forma unidos para destruir o euro”, analisa o colunista do Financial Times, Gideon Rachman.
O primeiro equívoco, explica ele, é pensar que os mercados são uma entidade única e não o resultado de uma opinião entre os compradores e vendedores.
Rachman cita uma declaração recente de um alto oficial francês: “Na média, um anti-capitalista em Londres tem mais entendimento sobre como os mercados funcionam que a média de um político alemão”.
“Os mercados não são inimigos dos políticos europeus. Eles são seus amigos. De fato, eles são tudo que está entre os líderes políticos e os cidadãos nervosos”, explica. Ou seja, se os mercados não emprestam aos governos, então os políticos só podem arrecadar de um lugar – os eleitores.
“Como a Europa está descobrindo, isso corresponde a impostos mais altos ou cortes nos gastos públicos. Apenas os mercados estão entre os políticos e a austeridade profunda”, diz. Mesmo assim, alguns mantêm uma posição hostil para com os mercados financeiros.
Torturem eles!
No ano passado, o presidente do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, esbravejou: “Temos que ser capaz de deter os mercados financeiros. Temos todos os instrumentos de tortura no porão”. Isso é como pedir ao gerente do banco para ampliar o prazo de um empréstimo e depois dizer que, caso não concorde com os termos, você tem o direito de afoga-lo, afirma Rachman.
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