Nova York - Minutos depois de tomar posse como presidente do Brasil, em janeiro de 2011, Dilma Rousseff fez um discurso inaugural emotivo, no qual declarou que o país estava no “início de uma nova era”.

Para os investidores, ela estava certa, mas por todos os motivos errados. A era Rousseff trouxe ano após ano de quedas nos mercados financeiros, um duro contraste com os dias de forte crescimento sob seu antecessor e mentor, Luiz Inácio Lula da Silva, que transformou o Brasil no queridinho do mercado.

Ela tenta a reeleição neste fim de semana após um primeiro mandato no qual o índice acionário de referência do país, o Ibovespa, despencou 23 por cento, eliminando US$ 300 bilhões em valor de mercado, e o real caiu 33 por cento.

É uma imagem drástica para uma presidente que assumiu o que Lula disse, em novembro de 2010, ser um país que desfrutava de um “momento mágico”, registrando a expansão mais rápida em um quarto de século e ajudando a liderar a saída da economia global da recessão após a crise financeira.

Após quatro anos de intervenção de Dilma na economia e uma queda nos preços das commodities exportadas pelo Brasil, o país está atolado em algo parecido a uma estagflação, crescendo no ritmo mais lento em duas décadas e inflação alta.

“Não há dúvida de que as políticas que este governo colocou em prática pioraram as coisas”, disse Geoffrey Dennis, diretor de estratégia de mercados emergentes do UBS AG, em entrevista por telefone.

Dennis, que cobre as ações brasileiras desde o início dos anos 1990, tem um rating de underweight para o país.

“Eu continuo altamente cético de que ela se tornará mais amigável ao mercado. O mercado estará no modo ‘ver para crer’” se Dilma se reeleger para mais quatro anos de mandato, como as pesquisas projetam.

O real e o Ibovespa tiveram o segundo pior desempenho entre os grandes mercados durante o primeiro mandato de Dilma. O desempenho ruim vem após oito anos de grandes ganhos no governo Lula.

Os mercados caíram depois que pesquisas recentes mostraram um apoio maior à reeleição de Dilma. O Ibovespa despencou 6,5 por cento nesta semana, mais que o dobro da queda das ações de mercados emergentes.

O real perdeu 3 por cento no período, o pior desempenho entre 24 moedas de mercados emergentes.

Programas sociais

Embora os erros da administração Dilma expliquem parte do desempenho ruim, outros fatores fora do controle dela também tiveram seu papel, segundo Dennis, do UBS.

O crescimento global mais rápido, liderado pela China, impulsionou as commodities para cima durante o mandato de Lula e colocou o Brasil “em uma plataforma de lançamento”, disse ele. Dilma enfrentou uma desaceleração chinesa e o fim do superciclo das commodities.

A popularidade de Dilma decorre de uma taxa de desemprego próxima a uma mínima histórica, fortes ganhos salariais e preocupação de que os candidatos de oposição possam reverter os programas sociais que ajudaram a tirar 35 milhões de brasileiros da pobreza na última década.

“A abordagem dela foi a de focar mais em igualdade social do que em desenvolvimento e crescimento”, disse Paul Christopher, estrategista internacional chefe da Wells Fargo Advisors, que gerencia US$ 1,4 trilhão, por telefone, de St. Louis, EUA.

Assessores de imprensa da campanha de Dilma, do gabinete da presidente e do Ministério da Fazenda não responderam aos pedidos de comentário.

Dilma receberia 40 por cento dos votos no primeiro turno da eleição, no dia 5 de outubro, enquanto os candidatos da oposição Marina Silva e Aécio Neves receberiam 24 por cento e 21 por cento, segundo uma pesquisa do Datafolha divulgada ontem no site da Folha de S. Paulo.

A consulta a 12.022 pessoas teve uma margem de erro de 2 pontos porcentuais para mais ou para menos. Uma pesquisa do Ibope publicada ontem mostrou que Dilma superaria Marina ou Aécio no segundo turno, no dia 26 de outubro.

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