São Paulo - O maior déficit fiscal do governo central e do setor público consolidado em muitos anos fez com que as taxas futuras de juros, sobretudo as de longo prazo, disparassem nesta quinta-feira, 31, com os investidores embutindo nos preços o aumento da percepção de risco sobre o Brasil.

Além disso, a disparada do dólar para acima de R$ 2,23 e a alta dos prêmios dos Treasuries (títulos da dívida do Tesouro dos Estados Unidos) garantiram fôlego adicional aos juros.

Ao término da negociação regular na BM&FBovespa, a taxa do contrato futuro de juro para abril de 2014 (97.825 contratos) estava em 10,00%, de 9,97% no ajuste anterior.

O juro para janeiro de 2015 (278.710 contratos) indicava 10,57%, de 10,53% no ajuste da véspera. Na ponta mais longa, o DI para janeiro de 2017 (290.870 contratos) apontava 11,47%, ante 11,30% na véspera. A taxa do DI para janeiro de 2021 (13.335 contratos) marcava 11,84%, de 11,67% no ajuste anterior.

O déficit fiscal foi apontado de forma unânime como o principal motivo para a disparada das taxas. De acordo com um operador, os resultados ruins do governo central e do setor público consolidado exigem mais do Banco Central no trabalho de controle das expectativas. Mas há também o prêmio de risco embutido nos preços.

O déficit de R$ 10,473 bilhões apresentado pelo governo central foi o pior para meses de setembro em 17 anos e o pior desde dezembro de 2008 (resultado negativo de R$ 19,994 bilhões). O resultado ficou abaixo do piso das estimativas colhidas pelo AE Projeções, de déficit de R$ 4,8 bilhões.

Até setembro, o governo central acumula um superávit primário de R$ 27,943 bilhões, uma queda de 49% em relação ao mesmo período do ano passado. O secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, atribuiu o resultado de setembro a "algumas especificidades" e garantiu que o governo continua perseguindo a meta de superávit primário para este ano, de R$ 73 bilhões.

O resultado do governo central fez o déficit primário do setor público consolidado atingir R$ 9,048 bilhões no nono mês do ano - pior para o mês da série histórica do BC e também maior que o piso das estimativas, de -R$ 3,9 bilhões. O chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, classificou o quadro fiscal como "desafiador".

A disparada do dólar também ajudou na alta das taxas domésticas. O cenário externo e a disputa entre comprados e vendidos para a formação da taxa Ptax de fim de mês ajudaram o dólar à vista a terminar a R$ 2,2310 no balcão, com alta de 1,64%.

Nos Estados Unidos, o índice de atividade dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês) do setor industrial de Chicago teve a maior alta em 30 anos e atingiu o maior nível desde março de 2011, contrariando as projeções de queda.

Isso foi o suficiente para reforçar a percepção, trazida na véspera pelo comunicado menos "dovish" do Federal Reserve, de que a redução dos estímulos em dezembro não está descartada. Assim, o juro do T-note de 10 anos, que chegou a cair pela manhã, marcava 2,546% às 16h32 (horário de Brasília), de 2,534% no fim da tarde de quarta-feira.

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