Gerentes de investimento estão alertando que os mercados provavelmente podem cair mais com a desaceleração do crescimento da China, a queda dos preços do petróleo e a falta de ferramentas dos bancos centrais para estimular as economias.

O índice S&P 500 vai cair mais 10 por cento, para 1.650, e o petróleo poderia chegar a cair para US$ 20 o barril, com os investidores fugindo em busca de segurança, de acordo com Scott Minerd, chefe de investimentos da Guggenheim Partners. Jeffrey Rottinghaus, do fundo mútuo T. Rowe Price que superou 99 por cento dos rivais no ano passado, disse que os preços das ações poderiam cair mais 10 por cento com a economia dos EUA entrando em uma recessão moderada.

“Espero um declínio prolongado no S&P 500”, disse Jeffrey Gundlach, co-fundador da DoubleLine Capital, em resposta por e- mail a perguntas.

O S&P 500 caiu menos de 1 por cento às 9h45 da quinta-feira e registra queda de 9,4 por cento no ano. O Dow Jones Industrial Average apresentava pouca oscilação depois de cair 9,8 pode cento em 2016. O petróleo subiu 6,7 por cento para US$ 28,34.

“A exposição excessiva ao risco está se somando à pressão de venda”, disse Gundlach.

Rottinghaus, gerente do T. Rowe Price U.S. Large-Cap Core Fund de US$ 203 milhões, disse que “produtos industriais e commodities estão em recessão há pelo menos seis meses” nos EUA. “O que estamos tentando descobrir é quanto isso vai sangrar para o lado do consumidor na economia”, disse ele em uma entrevista.

À espera de um catalisador

Russ Koesterich, estrategista-chefe de investimentos globais da BlackRock, disse que é preciso um catalisador fundamental para sinalizar o fundo do mercado, seja vindo dos lucros corporativos, dos dados econômicos ou de uma recuperação na China.

O gerente de fundo de hedge, Ray Dalio, disse que os mercados globais enfrentam riscos de queda com as economias se aproximando do fim de um ciclo de dívida de longo prazo. A próxima medida do Fed será em direção à flexibilização quantitativa, ao invés do ajuste monetário, disse o fundador da Bridgewater Associates, em entrevista à CNBC no Fórum Econômico Mundial em Davos. Isso não vai ser fácil porque as taxas já estão muito baixas, disse ele.

Riscos de queda

“Quando você chega a zero, não dá para diminuir mais as taxas de juros”, disse Dalio, de acordo com uma transcrição da entrevista. “Esse final do ciclo de dívida de longo prazo é a questão que mostra que os riscos são assimétricos para a queda, porque riscos estão comparativamente elevados ao mesmo tempo em que não há capacidade de aliviar”.

A queda nas ações mundiais está sendo alimentada por investidores que buscam reduzir a alavancagem já que o banco central está sem opções para revigorar a economia, de acordo com Bill Gross, da Janus Capital.

Embora as economias no exterior estejam oscilando, os EUA continuam sendo uma ilha de estabilidade, de acordo com gestores de recursos como Omar Aguilar, diretor de investimentos para ações da Charles Schwab.

Economia estável

“Esta é uma crise financeira, não uma crise econômica”, disse Aguilar, durante uma teleconferência. “A economia dos EUA está estável”.

Os dados sobre o mercado imobiliário, o desemprego e os gastos do governo continuam dando apoio ao crescimento do PIB dos EUA, disse Aguilar. Os mercados de petróleo vão subir ainda neste ano, quando a oferta cair em resposta aos baixos preços atuais, de acordo com Mihir Worah, um dos gerentes do Pimco Total Return Fund, de US$ 89,9 bilhões.

“Ainda esperamos que os mercados de petróleo se equilibrem no segundo semestre do ano e que os preços do petróleo aumentem em relação aos níveis atuais como resultado”, disse Worah, por e-mail. “Embora cientes dos riscos, ainda esperamos um crescimento do PIB dos EUA em torno de 2 por cento”.

David Herro, gerente do Oakmark International Fund, disse que os preços baixos de energia devem apoiar os gastos do consumidor, a maior parte da economia dos EUA.

"Eu não acho que a queda dos preços das ações é de toda garantida por fundamentos econômicos", Herro escreveu em um e- mail.

Tópicos: Bancos, Finanças, Ásia, China, Mercado financeiro