São Paulo - O principal índice da Bovespa fechou com alta de mais de 4 por cento nesta sexta-feira, voltando aos 40 mil pontos, após três pregões seguidos no azul, diante de fortes ganhos de bolsas no exterior.

No mês, contudo, o Ibovespa contabilizou perda de 6,8 por cento, pressionado pela elevada volatilidade nos mercados globais com preocupações sobre a China e petróleo, além do quadro econômico e político local ainda recheado de incertezas.

Nesta sexta-feira, o Ibovespa subiu 4,6 por cento, a 40.405 pontos, na primeira vez que fechou acima 40 mil pontos em três semanas.

O volume financeiro da sessão somou 7,6 bilhões de reais, acima da média do mês, de 5,1 bilhões de reais.

Na semana mais curta por causa do feriado em São Paulo na segunda-feira, o índice de referência do mercado acionário brasileiro acumulou alta de 6,2 por cento. "Após um mês extremamente volátil e negativo para os mercados globais, a sexta-feira foi ajudada pela forte recuperação de bolsas internacionais, com destaque para o S&P 500", disse o gestor Eduardo Roche, da Canepa Asset Management.

"Mas é importante estar ciente de que as preocupações com um ciclo de crescimento mundial mais modesto e os desafios e problemas políticos e econômicos locais continuam e ainda prometem manter a volatilidade para os próximos meses." No exterior, o banco central do Japão surpreendeu e cortou os juros nesta sexta-feira, levando a taxa para o território negativo, enquanto o crescimento menos robusto do Produto Interno Bruto dos EUA endossou expectativas de uma postura mais branda do Federal Reserve, o banco central norte-americano, em relação aos juros.

Em Wall Street, o S&P avançava 2 por cento.

Do plano doméstico, profissionais do mercado citaram o agendamento de depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de sua esposa, Marisa Letícia, como investigados, ao Ministério Público de São Paulo, em inquérito sobre suspeitas de lavagem de dinheiro.

DESTAQUES

- PETROBRAS fechou com as ações ordinárias em alta de 6,29 por cento, enquanto as preferenciais subira 5,22 por cento, conforme os preços do petróleo engataram nova alta. Um membro do Conselho de Administração da companhia afirmou que a empresa tem um estoque de campos de petróleo com investimentos já amortizados que permite suportar por mais dois ou três anos um cenário de baixos preços da commodity. No mês de janeiro, as ações ordinárias da petroleira recuaram 20 por cento, enquanto as prefereciais despencaram 28 por cento. - BANCO DO BRASIL valorizou-se 6,7 por cento, destacando-se entre os papéis de bancos, que se beneficiam do quadro externo favorável, enquanto investidores também repercutiram o anúncio de pacote de crédito de 83 bilhões de reais pelo governo federal na véspera. ITAÚ UNIBANCO avançou 4,66 por cento. - VALE encerrou com as preferenciais de classe A em alta de 2,12 por cento, mesmo após a mineradora propor na véspera não pagar remuneração aos acionistas em 2016. Analistas afirmaram que a decisão já era esperada e a avaliaram como "prudente". Nesta sexta-feira a Standard & Poor's rebaixou a nota de crédito da mineradora para "BBB-", ante "BBB", e manteve a perspectiva negativa. Ainda assim, a ação ordinária da companhia subiu 4,18 por cento. No mês, porém, Vale PNA desabou 30 por cento e Vale ON perdeu cerca de 25 por cento.

- JBS disparou 15,51 por cento, em nova sessão de recuperação, após perdas fortes na sequência de denúncia do Ministério Público contra executivos da holding J&F, controladora da empresa de alimentos. Na véspera, analistas do BTG Pactual disseram que, por ora, mantinham recomendação de compra para a ação, avaliando que os fundamentos podem prevalecer no longo prazo "...se o noticiário permitir".

- ESTÁCIO PARTICIPAÇÕES ganhou 10,06 por cento, mesmo após o Ministério da Educação (MEC) e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) revisarem para 17.563 o número de novas vagas da companhia destinadas ao Fundo de Financiamento Estudantil no primeiro semestre. Na quarta-feira, a companhia informou que este número seria de 25.119 vagas. KROTON EDUCACIONAL subiu 8,56 por cento.

- CEMIG avançou 10,67 por cento, ainda impulsionada pelo noticiário favorável para o setor, que incluiu a informação de que a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deve propor parcelamento de débitos de hidrelétricas junto à Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE).

- USIMINAS fechou em queda de 1,16 por cento, uma das poucas quedas do Ibovespa, conforme permanecem apreensões com a situação financeira da siderúrgica e o risco de a empresa precisar de aporte de capital. Próximo do fechamento, a Standard & Poor's cortou o rating global da Usiminas de "B+" para "CCC+", mantendo a nota em observação negativa. O papel já acumula declínio de 45 por cento em 2016, segundo maior recuo entre os papéis do Ibovespa em janeiro.

Texto atualizado às 19h46

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