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BNDES: títulos de dívida da fabricante da matéria-prima usada na fabricação de papel vão se recuperar da mais longa queda já registrada
São Paulo/Rio de Janeiro - Sinais de que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social vai aumentar sua fatia na Suzano Papel e Celulose SA levaram a Traditional Asiel Securities e a Jefferies Ltd. a prever que os títulos de dívida da fabricante da matéria-prima usada na fabricação de papel vão se recuperar da mais longa queda já registrada.
O rendimento dos títulos da Suzano com vencimento em 2021 subiu por quatro meses seguidos, a maior alta desde que foram emitidos em setembro de 2010, para 6,95 por cento. Os rendimentos da Suzano vão cair para 5,57 por cento caso o BNDES exerça uma opção de aumentar sua fatia dos atuais 4,4 por cento para até 18 por cento, disse Vinicius Pasquarelli, operador de dívida de mercados emergentes na Traditional Asiel. Dívidas de vencimento similar vendidas pela Fibria Celulose SA, maior produtora de celulose do mundo, rendem 6,59 por cento.
Os detentores de bônus estão se beneficiando dos esforços do BNDES para proteger as empresas brasileiras da desaceleração da maior economia da América Latina. A dívida da Lupatech SA recuperou-se de uma baixa recorde depois que o BNDES anunciou em novembro que vai aumentar sua participação na fabricante de equipamentos para exploração de petróleo que enfrenta problemas de caixa.
“Um aumento da participação do BNDES na Suzano significa que a empresa vai se tornar um risco semissoberano”, disse Pasquarelli em entrevista em Nova York em 10 de julho. “O BNDES é sinônimo de estabilidade em meio a uma economia instável. Isso também significa que o governo brasileiro considera estratégico o setor de celulose.”
A Suzano disse no mês passado que o BNDES tem a opção de converter debêntures em ações da empresa até 8 de agosto, como parte dos esforços empresa para reconquistar a confiança dos investidores depois que seus níveis de dívida alcançaram o maior patamar em nove anos. Sua dívida líquida saltou para R$ 5,74 bilhões no final do primeiro trimestre, a maior desde 2003, à medida que a empresa acelerou investimentos para mais do que dobrar a produção de celulose.
Os assessores da Suzano e do BNDES não quiseram comentar.
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