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O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, baixou o juro básico em 4 pontos percentuais desde agosto de 2011
São Paulo/Brasília - A presidente Dilma Rousseff alertou o presidente americano, Barack Obama, em uma reunião em abril que a economia mundial corria risco de estagflação. Seria um efeito das tentativas de diferentes países de desvalorizarem suas moedas.
Dois meses depois, é a economia brasileira que enfrenta essa ameaça. Analistas preveem que a inflação vai voltar a acelerar pela primeira vez em nove meses enquanto o crescimento da economia fica cada vez mais fraco. Os negócios no mercado de juros futuros indicam que operadores esperam que o Banco Central reverta o ciclo atual e eleve os juros a partir de abril para conter a alta dos preços.
Crescem as especulações de que o Brasil terá em breve que implementar políticas para conter a inflação, em vez de estimular mais o crescimento, como outros países emergentes. A Índia manteve seu juro básico em 8 por cento esta semana. Apesar de a inflação brasileira nos 12 meses até maio ter desacelerado para 4,99 por cento, o menor nível em 20 meses, esse patamar se mantém acima da meta há 21 meses. Isso mesmo com o País tendo apresentado no primeiro trimestre a menor expansão desde 2009.
“A inflação está ficando mais resistente, mais rígida”, disse Maurício Rosal, economista-chefe da Raymond James em São Paulo, em entrevista por telefone. “É uma preocupação que tem estado em nossas mentes. Sob circunstâncias normais, em que as pessoas estão dispostas a aceitar a estratégia do BC, teríamos visto a inflação caindo notadamente neste estágio do ciclo econômico.”
O Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15 subiu 0,29 por cento no mês até meados de junho, com a variação em 12 meses aumentando de 5,05 por cento no mês anterior para 5,1 por cento, de acordo com a estimativa mediana de uma pesquisa da Bloomberg com 42 economistas. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística divulga o relatório do IPCA-15 amanhã.
Perspectiva de crescimento
A economia se expandiu 0,2 por cento no primeiro trimestre, menos da metade do ritmo previsto por analistas sondados pela Bloomberg. O resultado levou o ministro da Fazenda, Guido Mantega, a abandonar sua meta de crescimento de 4,5 por cento para este ano. Mantega disse que o governo ficaria satisfeito se o crescimento de 2012 superasse a taxa de 2,7 por cento apurada no ano passado, que marcou o segundo pior desempenho desde 2003.
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, baixou o juro básico em 4 pontos percentuais desde agosto no maior corte feito entre o Grupo dos 20. A taxa Selic caiu para o menor patamar histórico de 8,5 por cento para estimular o crescimento. A inflação vai recuar para a meta mesmo com a aceleração do crescimento econômico no segundo semestre, disse Tombini ontem em São Paulo. A meta de inflação é de 4,5 por cento, com tolerância de 2 pontos percentuais para cima ou para baixo.
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