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"O conjunto de desafios não é trivial e pode demandar muito tempo", diz analista
São Paulo – Os acionistas da BM&F Bovespa (BVMF3) podem dormir um pouco mais tranquilos, pelo menos até o final de 2014. Esse deve ser o tempo necessário para que uma das desafiantes da bolsa se estabeleça no Brasil, explica o analista Paulo Ribeiro do HSBC em um relatório publicado nesta semana.
“Da estrutura regulatória, adaptada à nova situação de concorrência, passando pelas aprovações necessárias e pelo acesso aos mecanismos de pós-negociação (cujo controle é o trunfo mais forte para a BVMF, em nossa opinião), o conjunto de desafios não é trivial e pode demandar muito tempo, como aconteceu na Austrália”, explica Ribeiro.
O governo australiano permitiu em março de 2010 que a unidade local da corretora japonesa Nomura instalasse um novo ambiente de negociações com o objetivo de reduzir custos e incentivar a indústria financeira. A Chi-X Australia iniciou as operações no final de outubro de 2011, pouco mais de um ano após o anúncio, e encerrou 150 anos de monopólio da ASX.
Ambiente
O Brasil já foi um país com vinte ambientes de negociações de ações e outros ativos financeiros. Esse era o cenário brasileiro na década de 1990. Porém, ao longo dos anos seguintes o mercado se consolidou e, depois da quase quebra da Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, então a maior do país, hoje só se fala na BM&FBovespa, fusão entre o ambiente de negociações de derivativos e commodities com o de ações, realizada em 2008.
Uma das principais barreiras para a chegada de um novo concorrente é o modelo integrado da BM&FBovespa. Além de bolsa, ela detém também a CBLC (Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia), que é a contraparte para o mercado de ações e de renda fixa e responsável pela fiscalização dos pagamentos e recebimentos. Por lei, a BM&FBovespa é obrigada a oferecer os serviços de compensação para qualquer outro participante do mercado.
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