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Empresas | 28/11/2011 09:40

Escassez de títulos ’junk’ brasileiros pode continuar em 2012

Afirmação é do HSBC. Para o banco, o período sem emissões de títulos de alto rendimento,deve se estender com o desaquecimento da economia

Boris Korby, da
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Christopher Furlong/Getty Images

Dólares em notas embaixo de uma moeda de libra

A escassez de emissões, maior entre os principais mercados emergentes, ocorre com a crise de dívida da Europa em crescimento

Nova York - Empresas brasileiras com classificação abaixo de grau de investimento, ou “junk”, vão continuar fora do mercado internacional de dívida, segundo o HSBC Plc. Para o banco, o período sem emissões de títulos de alto rendimento, que já o maior em mais de dois anos, deve se estender até 2012 com o desaquecimento da economia.

O rendimento de títulos junk brasileiros, que têm nota de crédito abaixo de Baa3 pela Moody’s Investors Service e inferior a BBB- pela Standard & Poor’s, subiu desde abril de 2009 para a média de 10,84 por cento, mais de duas vezes a taxa de 5,19 por cento paga por emissores globais com nota mais alta, segundo o Credit Suisse Group AG. A diferença é a mais alta desde abril de 2009. Esse spread deu um salto de 349 pontos-base, ou 3,49 pontos percentuais, desde 7 de julho, quando a Cosan SA Indústria & Comércio foi a última empresa brasileira com classificação junk a fazer uma captação no exterior.

A escassez de emissões, maior entre os principais mercados emergentes, ocorre com a crise de dívida da Europa crescendo e passando a atingir a Itália e a Espanha, o que gera receios de que a expansão mundial vai estacionar e elevar os custos de captação, disse Alexei Remizov, diretor de mercados de capitais do HSBC. No quarto trimestre, a Moody’s cortou as notas de créditos e perspectivas de empresas com classificação em grau especulativo sete vezes mais do que fez aumentos.

“É muito improvável que vejamos emissores de alto rendimento até o fim do ano”, disse Remizov em entrevista por telefone de Nova York. “Em 2012, enfrentaremos desafios de crédito similares já que o problema da dívida da Europa ainda precisa ser resolvido e ainda restam dúvidas sobre a administração fiscal nos EUA.”

US$ 5,9 bilhões em dívida

Vinte e um títulos em dólar de alto rendimento emitidos por 11 empresas brasileiras, no total de US$ 5,9 bilhões, estão sendo negociados a patamares pelo menos 1.000 pontos-base acima das taxas de bônus do Tesouro americano de prazo similar, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. Diferenças superiores a 10 pontos percentuais são consideradas de estresse. Companhias com pelo menos uma classificação de risco “junk” atribuída por Moody’s ou S&P venderam US$ 11,5 bilhões em dívida externa este ano, comparado a US$ 12,6 bilhões no mesmo período do ano passado, de acordo com dados da Bloomberg.

Os custos de captação têm subido diante das dificuldades das autoridades europeias para implantar cortes no orçamento e impedir que a crise se agrave. Nos Estados Unidos, o fracasso do Supercomitê do Congresso na missão de encontrar formas de economizar mais de US$ 1 trilhão aos cofres públicos alimentou dúvidas sobre a capacidade dos parlamentares de superar a divisão partidária e lidar com o futuro fiscal do país.

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