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Nos EUA, a análise independente foi incentivada pelo regulador do mercado
São Paulo – A Empiricus, casa de análise de ações, enviou hoje uma carta à presidente da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), Maria Helena Santana, pedindo mais apoio para os analistas independentes no Brasil.
“O mercado merece mais interlocução, fora da agenda de banco de investimentos”, mostra o texto da carta (íntegra na segunda página) que está em um relatório enviado para clientes assinado por Marcos Elias, analista-chefe. A empresa se diz isolada como a única a publicar opiniões sem a ligação direta com bancos ou corretoras.
Fundada em novembro de 2009 por economistas, analistas e jornalistas, a Empiricus tem hoje mais de 100 clientes, sendo 14 corretoras como a Icap, Rico e Título. No ano passado, a empresa se fundiu com o fundo Galleas, de Marcos Elias. A gestora mudou de nome (Gradius) e foi incorporada à corretora Gradual . A Empiricus continuou separada e a Gradius se tornou um dos seus clientes.
Elias explica que recebe com frequência empresários ou analistas, de sell side (corretoras) ou de buy side (gestoras), pedindo opiniões independentes sobre empresas, mas que não possui equipe suficiente para tal. “Parte de nossa missão aqui é inspirar que novos venham conosco. Mas precisamos, visceralmente, que a CVM nos dê a forma”, ressalta.
A existência de análises independentes para ações ou renda fixa é maior fora do Brasil, onde casas como a GaveKal, BCA Research e a 13D sobrevivem apenas com a venda de relatórios. Mas isso só ganhou corpo após um “empurrãozinho” das entidades do mercado de capitais.
Como foi por lá
Nos EUA, o fomento à indústria independente de análise de ações começou em 2003. À época, a procuradoria-geral de Nova York iniciou uma investigação sobre os conflitos de interesses dos profissionais da área dentro de grandes bancos. Em uma investigação sobre o Merrill Lynch, o procurador encontrou e-mails enviados por analistas em que avaliavam algumas ações como “lixo”, enquanto ao mesmo tempo recomendavam a compra dos papéis em relatórios enviados ao público. O banco foi condenado a pagar 100 milhões de dólares.
Como resultado das iniciativas da procuradoria de Nova York, diversas instituições do mercado de capitais, incluindo a reguladora SEC (Securities and Exchange Commission), firmaram um acordo para melhorar a fiscalização do setor e alimentar a criação de casas independentes. Os bancos foram obrigados a contratar ao menos três empresas independentes de análises de ações para disponibilizar relatórios aos clientes por um período de cinco anos. A escolha das casas também foi feita por um consultor independente.
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