Jjohanesburgo/Brasília - A alta do dólar dos últimos três anos em relação a moedas emergentes parece estar perdendo força, segundo pesquisa da Reuters nesta quinta-feira, com um número maior de estrategistas questionando a capacidade da moeda norte-americana de continuar batendo recordes nos próximos meses.

As medianas das projeções para moedas como o real, a lira turca e o rand sul-africano melhoraram em relação à pesquisa do mês passado, em meio às promessas de mais estímulo monetário pelos bancos centrais e sinais de estabilização nos mercados de commodities.

As estimativas também se espalharam por uma faixa mais ampla para a maioria das moedas cobertas pela pesquisa, sinalizando que uma quantidade maior de analistas começa a apostar contra a continuidade da valorização do dólar.

"Não espero que as moedas emergentes se fortaleçam contra o dólar, mas acho que é razoável assumir que elas ficarão muito mais estáveis do que no ano passado", disse Piotr Matys, estrategista de mercados emergentes do Rabobank.

Alguns já começam a prever uma virada. Houve quem estimasse o dólar a 3,30 reais no Brasil daqui a um ano e a 2,70 liras turcas, taxas inéditas desde julho de 2015.

Essas apostas mais otimistas ainda convivem com as estimativas de valorização do dólar, com alguns estrategistas apostando em novos recordes para a moeda. Ela poderia chegar a 4,69 reais daqui a um ano, por exemplo.

"Uma das principais razões pelas quais as moedas emergentes ficarão muito mais estáveis contra o dólar é o fato de que o mercado reprecificou significativamente suas expectativas com relação ao aperto monetário do Fed neste ano", disse Matys.

No mês passado, uma pesquisa da Reuters sugeria que o Federal Reserve subiria os juros duas vezes neste ano.

Entretanto, diante da fraqueza da economia global e da inflação, alguns analistas começaram a sugerir que a decisão de começar a elevar as taxas em dezembro foi um erro, e que o Fed poderia ficar parado agora por mais tempo.

A alta generalizada do dólar começou justamente por causa do Fed, há cerca de três anos, quando o banco central norte-americano começou a sinalizar o desmonte gradual das políticas de estímulo monetário adotadas após a crise de 2008.

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