O dólar recuava frente ao real nesta quarta-feira, dando continuidade às perdas da véspera, conforme persistia a relativa trégua no cenário internacional vista desde que a China anunciou estímulos econômicos.

Operadores ressaltavam, porém, que o ambiente interno de incertezas políticas e econômicas tende a deixar as cotações voláteis. Além disso, o forte tombo da sessão passada abria espaço para ajustes de portfólio.

Às 11h30, o dólar recuava 0,12 por cento, a 3,9365 reais na venda, após atingir 3,9122 reais na mínima da sessão.

Na sessão passada, a moeda norte-americana caiu 1,56 por cento e terminou no menor nível em três semanas.

O dólar futuro, que havia ampliado o recuo após o fechamento do mercado à vista na terça-feira, operava com leve alta de 0,18 por cento.

"O ímpeto vendedor (de dólares) continua forte desde o início da semana, mas nem todo mundo está convencido de que essas cotações baixas vão durar, então podemos ver alguma volatilidade", disse o operador de uma corretora internacional.

O corte na taxa de compulsório da China na segunda-feira vem alimentando a demanda por ativos de risco nos mercados globais, mesmo diante de uma leva de dados fracos e após a Moody's piorar sua perspectiva para a nota de crédito do país.

O movimento se sobrepunha até mesmo à queda dos preços do petróleo nesta sessão.

O mercado brasileiro tem sido bastante influenciado também por fatores locais, especialmente no campo político.

Alguns operadores vêm vendendo dólares, apostando que teria crescido a chance de mudança no governo via impeachment da presidente Dilma Rousseff, algo que acreditam ser positivo. Outros investidores, porém, entendem que as incertezas geram um quadro desfavorável ao ajuste macroeconômico.

"No fundo, o noticiário político é o que dá o tom. O mercado está muito sensível, tem muito boato, muito rumor", disse o operador Glauber Romano, da corretora Intercam.

Nesta manhã, o Banco Central fará mais um leilão de rolagem dos swaps que vencem em abril, que equivalem a 10,092 bilhões de dólares, com oferta de até 9,6 mil contratos. (Por Bruno Federowski; Edição de Camila Moreira)

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