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O governo pretende vender o Cruzeiro do Sul, especializado em crédito consignado, depois da descoberta de “graves” violações de regras financeiras
Nova York - A intervenção no Banco Cruzeiro do Sul SA após acusações de fraudes cria agora uma oportunidade para operadores do mercado de dívida. Eles podem dobrar o valor de suas aplicações na dívida do banco com o plano do governo de encontrar um comprador.
Mesmo após os títulos do Cruzeiro do Sul com vencimento em 2016 terem se recuperado da queda após o anúncio da intervenção pelo Banco Central em 4 de junho, os papéis, a 54,4 por cento do valor de face, estão sub avaliados, de acordo com o Barclays Plc e com a Tradewire Securities LLC. As duas instituições estimam que o preço dos títulos vai passar de 100 por cento do valor de face se o Cruzeiro do Sul for vendido para o Banco Bradesco SA, Itaú Unibanco Holding SA ou Banco BTG Pactual SA. Com rendimento hoje de 30,12 por cento, os títulos pagam cerca de quatro vezes o juro médio da dívida de alto risco de bancos mundialmente, segundo dados do Bank of America Corp.
O governo pretende vender o Cruzeiro do Sul, especializado em crédito consignado, depois da descoberta de “graves” violações de regras financeiras. O Fundo Garantidor de Créditos foi escolhido para administrar a instituição após a intervenção. Títulos emitidos pelo Banco Panamericano SA, também submetido a uma intervenção em novembro de 2010 em meio a uma investigação criminal de irregularidades contábeis, tiveram uma valorização de até 15,4 por cento após a venda para o BTG Pactual três meses depois.
“O negócio do Cruzeiro se encaixa como uma luva aos grandes bancos do Brasil”, disse Rodrigo Steiner, diretor de vendas da corretora Tradewire, de Miami, em entrevista por telefone. “Muitos investidores estão apostando que o FGC vai vendê-lo para outro banco. Se as perdas do Cruzeiro não forem muito altas, com certeza haverá muitos bancos interessados.”
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