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Robôs podem chegar a 30% do volume operado na Bovespa em dois anos, projeta o banco
São Paulo – O Deutsche Bank entrou definitivamente no segmento eletrônico no país. O banco lançou na semana passada dois produtos que utilizam algoritmos para facilitar os negócios na bolsa brasileira e reduzir os erros humanos dos operadores.
Os dois programas, o Stealth e o Autobahn Equity, marcam a entrada do banco no segmento que pode chegar a 30% do volume de negócios da Bovespa em dois anos, conforme projeta André Rosenblit, chefe da corretora no Brasil.
O Stealth, considerado o principal produto do banco, tenta simular a atuação de um operador na bolsa. “Às vezes é melhor identificar a oportunidade e apenas efetuar a estratégia quando a liquidez aparece. Isso simula o operador quieto, quando na verdade esperava apenas o melhor momento”, explica Rosenblit.
EXAME.com conversou com o executivo e com Caio Blasco, especialista no produto, sobre a estratégia do Deutsche no Brasil e o avanço dos robôs no mercado.
Como funciona a estratégia do Stealth?
André Rosenblit - Há 10 anos o mercado acionário tinha o operador de pregão, que negociava aos berros. Mas eles também tinham as estratégias, como ficar em silêncio ou simular a intenção de comprar, porém com o objetivo de vender. Existia um teatro muito grande. Hoje o que predomina é o pregão eletrônico. Os algoritmos agora é que tentam copiar o ambiente de pregão para o mercado eletrônico.
Usamos diversas lógicas, como séries estatísticas, correlações, leitura de mercado e timming. O algoritmo também decide se mostra ou não a cara, ou seja, ele pode às vezes não inserir a ordem. Às vezes é melhor apenas identificar a oportunidade, e quando a liquidez aparece o robô efetua a estratégia. Isso simula o operador quieto, quando na verdade estava apenas esperando o melhor momento. É um algoritmo que possui o objetivo de executar a melhor compra e venda. O robô é quem decide colocar o não as ofertas e deixa-las ou não visíveis.
Caio Blasco - Com esse formato é o primeiro no mercado brasileiro.
Qual é o potencial de robotização do mercado brasileiro?
André Rosenblit - Nos EUA, o mercado eletrônico corresponde a 70% do volume total. Na Europa e na Ásia o percentual chega a 50%. No Brasil ainda está entre 5% e 7%. Ainda estamos no processo inicial. Os principais fundos já estão colocando as ordens de forma eletrônica, mas isso ainda não chegou aos fundos de pensão. Acredito que o Brasil pode ter 30% do mercado eletrônico em 2 anos.
A ideia do mercado eletrônico é a de facilitar os controles e evitar os erros humanos. Quem tiver o melhor algoritmo ganhará mais participação de mercado.
Caio Blasco - O mercado americano começou com a tecnologia eletrônica em 1972. São 40 anos para o estado atual. O Brasil está há 5 anos. Tanto os participantes do mercado, quanto o investidor, bolsa e corretoras ainda estão em adaptação.
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