Quando você já passou por uma reviravolta, é difícil revertê-la. Mas Adam Jonas, do Morgan Stanley, está tentando realizar essa façanha com sua meta de preço para a Tesla Motors.

Parece que reduzir a meta de US$ 450 para US$ 333 na segunda-feira não desconcertou os investidores: a ação da Tesla subiu 3,5 por cento, para cerca de US$ 197, em resposta.

Talvez isso tenha acontecido porque a ação parece um indicador defasado: as ações da Tesla registram uma baixa de mais de 20 por cento desde meados de agosto, quando Jonas elevou sua meta de US$ 280 para US$ 465, o que gerou muita surpresa.

Mais interessante do que a mudança na meta nominal de preço, no entanto, é o que ela implica.

A avaliação do Morgan Stanley para a Tesla não é exatamente seu cenário base, mas a média entre seu cenário base e seu cenário otimista, então ela tende de forma inerente a uma visão mais otimista das perspectivas da empresa.

Aquela meta de preço de agosto representava o ponto médio entre um cenário base de US$ 319 e um cenário otimista de US$ 611 (sendo que este último subentende uma avaliação em torno de US$ 89 bilhões, quase o dobro do valor de mercado atual da Ford Motor).

A maior parte da modificação aconteceu no cenário otimista, que caiu quase US$ 200 por ação – aproximadamente, o mesmo que a avaliação total da Tesla atualmente –, para US$ 413.

Mais da metade desse declínio se refere à contenção das expectativas por algo chamado Tesla Mobility, um serviço de transporte parecido com o Uber com carros autônomos que existem, pelo menos em público, principalmente nas páginas dos relatórios que o Morgan Stanley publicou sobre a Tesla nos últimos seis meses.

Diante da preocupação com o aumento da concorrência, exemplificado por acontecimentos recentes, como a parceria entre General Motors e Lyft, a avaliação desse braço teórico da Tesla agora é de apenas US$ 129 por ação, em contraste com US$ 244 em agosto.

Ao mesmo tempo, a avaliação do cenário otimista para a Tesla Energy, uma empresa de armazenamento de energia que é real, mas muito nova, também sofreu um corte, de US$ 89 em agosto para US$ 49 agora.

Se você quiser uma definição para conversa fiada, uma boa candidata é uma meta de preço que deu um salto de dois terços, em grande parte por causa das expectativas em torno de unidades que mal existiam ou que são totalmente inexistentes, e que depois sofreu um corte de quase 30 por cento, tudo isso em um período de menos de seis meses.

Mesmo agora, um quarto da nova meta do Morgan Stanley para a Telsa tem a ver com o lado positivo na unidade de armazenamento e com o lançamento de um empreendimento bem-sucedido com um carro-robô.

De modo mais amplo, a mediana da meta dos analistas, de US$ 284, de acordo com dados compilados pela Bloomberg, continua mais de 40 por cento acima do patamar em que a Tesla é comercializada hoje.

Além dos riscos óbvios de tomar esse modelo visionário ao valor nominal, isso também pode gerar distrações em relação ao que está acontecendo nas operações centrais da Tesla. Como parte do corte de segunda-feira, Jonas também diminuiu sua avaliação de cenário base para a unidade automotiva principal.

A US$ 234, ela continua mais alta que o preço atual da ação, embora um pouco mais baixa que o valor de agosto – principalmente por causa dos atrasos esperados na produção, do aumento dos custos e do desafio representado pelo petróleo a US$ 30.

Na verdade, em vez da meta nominal, se os investidores forem prestar qualquer atenção a essas avaliações, eles deveriam ficar de olho na que se refere à unidade automotiva. A sorte da Tesla depende enormemente de como a empresa vai se sair apenas tentando reinventar o carro.

Esta coluna não necessariamente reflete a opinião da Bloomberg LP nem de seus proprietários.

Tópicos: Morgan Stanley, Empresas, Empresas americanas, Bancos de investimentos, Tecnologia, Montadoras, Tesla, Carros elétricos