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Títulos da emissão de US$ 400 milhões com vencimento em 2017 pagam uma taxa 9 pontos-base acima do rendimento médio de papéis com nota de crédito dois níveis superior
Nova York - Investidores do mercado de renda fixa concordam com o diretor financeiro da Cosan SA Indústria & Comércio, Marcelo Martins, que a empresa merece um aumento em sua nota de crédito para grau de investimento.
Os títulos da emissão de US$ 400 milhões da Cosan com vencimento em 2017 pagam uma taxa 9 pontos-base acima do rendimento médio de papéis com nota de crédito dois níveis superior, em BBB-, que é o menor nível da escala de grau de investimento, segundo dados compilados pela Bloomberg e pelo Bank of America Corp. Há três meses, essa diferença era de 65 pontos-base. O rendimento dos títulos da Cosan, que controla a maior processadora mundial de cana-de-açúcar junto com a Royal Dutch Shell Plc, caiu 93 pontos-base, ou 0,93 ponto percentual, durante o mesmo período, para 5 por cento.
Martins trabalha para elevar a Cosan a grau de investimento, depois que a parceria com a Shell ajudou a aumentar as vendas e a reduzir a dívida da companhia. A Cosan, que tem classificação dois níveis inferior ao grau de investimento tanto pela Standard & Poor’s quanto pela Moody’s Investors Service, também se beneficia da disparada de 91 por cento na cotação do açúcar nos últimos três anos.
“É um bom caso de crédito e vem apresentando bom desempenho graças aos preços mais altos do açúcar no mercado mundial”, disse Cedric Rimaud, analista da Spread Research, em Lyon, na França. “Há potencial para uma nota em grau de investimento.”
Os bônus da Cosan pagam 269 pontos-base a mais do que a dívida do governo brasileiro denominada em dólares com vencimento em 2017. Há três meses, a diferença era de 318, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Reduzindo a dívida
A proporção entre a dívida total e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, ou Ebitda, caiu para 1,9 vez nos 12 meses até setembro, comparado a 3,6 vezes um ano antes, de acordo com a Spread Research.
A Cosan, sediada em São Paulo, afirmou em 9 de novembro que as vendas deram um salto de 44 por cento para R$ 6,8 bilhões no segundo trimestre fiscal, que terminou em 30 de setembro. O litro do etanol anidro, que é misturado à gasolina, custava R$ 1,34 no mercado à vista em 13 de janeiro, ou 48 por cento a mais do que na mesma época em 2009, segundo dados da Bloomberg.
Martins disse em uma reunião com investidores em 7 de dezembro que esperava que a Cosan recebesse grau de investimento até o terceiro trimestre.
A Cosan não quis fazer comentários para esta reportagem, segundo sua assessoria de imprensa externa.
“Uma nota em grau de investimento é realista”, disse em entrevista por telefone Leonardo Kestelman, que administra US$ 800 milhões em dívida de mercados emergentes como diretor- gerente da Dinosaur Securities Inc. “É por causa da parceria com a Shell. Todo mundo pensa que a Shell nunca vai deixar a Cosan quebrar porque eles têm interesse mútuo em outra empresa.”
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