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China domina 90% da oferta mundial dos metais, o que preocupa os EUA e a Europa
São Paulo – As autoridades da Mongólia Interior, província autônoma localizada no norte da China, anunciaram a criação de uma bolsa inovadora para o mundo das commodities. O país planeja desenvolver o primeiro mercado para comercialização de metais de terras raras, já chamados de "ouro do século XXI" por causa de sua importância em aplicações de alta tecnologia.
Ao contrário do que o nome sugere, os minerais – abundantes na crosta terrestre - não são raros na natureza. Embora grande parte das reservas esteja localizada na Ásia e, em especial, na China, o principal problema está no tamanho: quando encontrados, os elementos estão em concentrações muito pequenas, o que torna difícil o processo de separação. Daí o fato de serem considerados raros.
No geral, são minerais não ferrosos que incluem no total 17 variedades de elementos químicos. São eles: lantânio, neodímio, cério, praseodímio, promécio, samário, európio, gadolínio, térbio, disprósio, hólmio, érbio, túlio, itérbio, escândio e lutécio.
Os metais são ideais para aplicações de alta tecnologia em discos rígidos e câmeras digitais, além de cruciais para as tecnologias verdes. As lâmpadas econômicas usam európio e érbio, enquanto as baterias de carros híbridos e as turbinas eólicas usam neodímio. São utilizados também na fabricação de celulares, trens-bala, iPods, fibras óticas, armas nucleares, painéis solares, etc.
De olho no potencial dos metais terras raras e no aumento do consumo nos últimos anos, a China quer agora criar uma bolsa de valores para comercializá-los. E neste quesito, o país já desponta com grande vantagem pois é responsável por mais de 95% da atual produção mundial de metais terras raras.
Além disso, a China detém também cerca de metade dos 110 milhões de toneladas de depósitos de terras raras existentes no mundo, segundo estudo do Instituto de Pesquisa Geológica dos Estados Unidos.
Aprovado
A ideia de criar uma bolsa de valores veio do governo da província da Mongólia Interior, que autorizou no dia 26 de maio deste ano a Companhia de Alta Tecnologia de Terras Raras e Aço Baotou (denominada em inglês como Inner Mongolia Baotou Steel Rare-Earth Hi-Tech) e a Sociedade Detentora de Alta Tecnologia da Mongólia Interior a criarem “o mais breve possível” uma empresa para operar esse mercado.
“É um passo positivo. Se a bolsa operar com êxito quando entrar em operação, ajudará a criar um mecanismo de preços transparentes e científicos que poderão ser utilizados na comercialização dos metais terras raras”, declarou Ma Peng, ex-diretor do Instituto de Investigação Baotou de Terras Raras, em entrevista à agência de notícias chinesa Xinhua.
Embora o trabalho para a criação de uma empresa que controlará a nova bolsa de valores já tenha começado, uma data específica de inauguração não foi mencionada pelos organizadores. A princípio, a bolsa terá um capital registrado de pelo menos 100 milhões de iuanes (15,4 milhões de dólares). Serão negociados apenas contratos à vista. A comercialização de contratos futuros estará proibida.
O dragão chinês
O domínio que a China detém sobre as terras raras já preocupa autoridades e executivos de diversos países. Com o avanço da tecnologia e a demanda cada vez maior pelos minerais magnéticos, muitas nações tem questionado o poder que a China exerce sobre a commodity.
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