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O rendimento dos junk bonds de países emergentes caiu para 8,52%
Nova York - O cancelamento do plano do Grupo Farias de fazer uma captação em dólar no exterior na semana passada com taxa de 12,5 por cento demonstra que a disparada mundial dos chamados “junk bonds” tem um limite.
O produtor paulista de etanol e açúcar, com nota seis níveis abaixo do grau de investimento pela Moody’s Investors Service Inc., suspendeu em 9 de fevereiro o que seria sua primeira captação externa em dólar, disse uma pessoa familiarizada com a operação que não pode ser identificada porque não está autorizada a falar publicamente a respeito. Empresas brasileiras com nota abaixo do grau de investimento captaram US$ 2,9 bilhões em dívida no exterior este ano. As emissões mundiais de títulos com nota inferior a Baa3 pela Moody’s e BBB- pela Standard & Poor’s Ratings Services somam US$ 44,3 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.
Os sinais cada vez mais claros de que a expansão econômica está se acelerando nos Estados Unidos ressuscitaram a demanda por ativos de alto risco. O rendimento dos junk bonds de países emergentes caiu para 8,52 por cento, em comparação ao nível mais alto em dois anos, de 11,88 por cento em outubro, segundo o JPMorgan Chase & Co. O Grupo Farias não conseguiu convencer investidores de que valeria a pena comprar dívida de um emissor estreante com uma nota de crédito tão baixa, disse Robert Abad, que ajuda a administrar US$ 37 bilhões em ativos de mercados emergentes na Western Asset Management.
“Um emissor de primeira viagem vindo a mercado, e que tem nota B-?”, disse Abad em entrevista por telefone da cidade de Pasadena, no estado americano da Califórnia. “Isso é um teste ainda maior para o mercado. Eu não sei se já chegamos lá.”
O Grupo Farias não retornou um telefonema e um e-mail da Bloomberg News solicitando comentário.
‘Muito suscetível’
A companhia buscava captar US$ 300 milhões em títulos com prazo de sete anos, disse a Moody’s em 31 de janeiro. A dívida do governo brasileiro de prazo similar paga 2,75 por cento. A classificação de risco B3 da empresa está sete níveis inferior à nota de crédito do País.
A posição de caixa do Grupo Farias de R$ 13,7 milhões em março de 2011 cobria cerca de 8,5 por cento de sua dívida de curto prazo, de acordo com a Moody’s.
O setor de açúcar e álcool “é muito suscetível aos preços das commodities e ao clima e, em nossa visão, isso restringe as notas de todo o setor”, disse Marianna Waltz, analista da Moody’s em São Paulo, em entrevista por telefone. “A capacidade da direção de enfrentar os pontos baixos dos ciclos é muito importante nesse negócio. Por isso, realmente queremos ver resultados mais estáveis e menos voláteis de forma mais sustentável.”
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