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A Brasil Foods, maior empresa de alimentos processados do País e maior exportadora mundial de aves, é menos vulnerável às flutuações dos preços das commodities
Nova York - O mercado de crédito está recompensando a BRF - Brasil Foods SA e punindo a Marfrig Alimentos SA diante da diferença nas notas de crédito das companhias.
A taxa dos títulos denominados em dólar da Brasil Foods com vencimento em 2020 caiu 26 pontos-base no últmo mês, para a mínima histórica de 5,14 por cento, segundo dados compilados pela Bloomberg. O rendimento dos títulos de vencimento similar da Marfrig disparou 159 pontos-base no mesmo período, para 12,42 por cento em 19 de abril, o mais alto desde janeiro. O custo de captação dos pares da empresa no mercado global teve uma queda média de 23 pontos-base no mês passado para 2,98 por cento, segundo dados do Bank of America Corp.
A Brasil Foods se beneficia da demanda crescente por ativos com ratings melhores diante da crise financeira na Europa e depois que seus esforços para reduzir o endividamento ajudaram-na a obter grau de investimento da Standard & Poor’s e da Moody’s Investors Service. A Marfrig, que iniciou um road show com investidores em 19 de abril, pode ter sua nota junk rebaixada depois que a S&P e a Moody’s revisaram a perspectiva da empresa para negativa, citando aumento do endividamento.
Os ganhos dos títulos da Brasil Foods “ainda têm um certo caminho a percorrer”, disse Autumn Graham, analista de dívida da Barclays Plc, em entrevista por telefone de Nova York. “A Brasil Foods tem tido uma gestão consciente do seu perfil de crédito nos últimos anos.”
Os papéis da Brasil Foods rendem 223 pontos-base a mais que títulos do governo brasileiro de prazo similar, comparado a uma diferença de 251 pontos em março, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.
A companhia não retornou pedidos de comentário da reportagem por telefone e e-mail.
Melhora de nota
A Brasil Foods busca limitar a relação entre dívida e lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização a duas vezes, disse o diretor financeiro Leopoldo Saboya durante teleconferência com analistas para discutir o balanço em 23 de março.
A S&P melhorou a classificação de risco da Brasil Foods em um nível para BBB-, o menor na escala de grau de investimento, em 4 de abril, duas semanas após a Moody’s ter elevado a nota da companhia. A Brasil Foods, maior empresa de alimentos processados do País e maior exportadora mundial de aves, é menos vulnerável às flutuações dos preços das commodities do que o frigorífico Marfrig, disse Flávia Bedran, analista da S&P.
“A companhia tem uma marca muito forte de alimentos processados e isso foi importante devido à sua resistência aos ciclos econômicos”, Flávia disse em entrevista por telefone de São Paulo. “Esperamos que uma empresa com grau de investimento tenha fluxo de caixa mais previsível. Também vimos um bom histórico de desalavancagem desde a fusão.”
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