O principal índice da Bovespa renovava mínimas intradia desde 2009 nesta sexta-feira, pressionado pelo cenário negativo no exterior, onde o petróleo desabava abaixo de 30 dólares.

Às 16:11, o Ibovespa caía 3,45 por cento, a 38.136,9677192 pontos, caminhando para completar a terceira semana seguida de perdas.

No pior momento do dia, o índice de referência do mercado acionário brasileiro caiu a 37.986 pontos, menor nível intradia desde 16 de março de 2009.

O volume financeiro no pregão somava 3,5 bilhões de reais nesta sexta-feira.

No exterior, os contratos futuros do petróleo recuavam ao redor de 5 por cento, para mínimas em 12 anos, por preocupações com a oferta diante da perspectiva de que sejam retiradas em breve as sanções contra o Irã.

O movimento da commodity derrubou bolsas na Europa e impunha fortes perdas nos pregões em Wall Street, com o S&P 500 chegando a cair 3 por cento, no piso desde agosto.

O índice Thomson Reuters Commodities Research Bureau perdia 2 por cento.

No Brasil, a pauta macroeconômica endossava o pessimismo, com dados de desemprego e atividade reforçando o cenário de debilidade da economia local.

DESTAQUES

- PETROBRAS mostrava as preferenciais desabando 8,6 por cento, renovando mínimas intradia desde 2003, na esteira do tombo dos preços do petróleo.

Também no radar estavam declarações de executivos da companhia a analistas pela manhã e a jornalistas à tarde, incluindo que só acessará o Tesouro Nacional em último caso e que o foco segue no plano de desinvestimentos.

No ano, os papéis PN acumulam perda de mais de 20 por cento.

- VALE tinha as preferenciais de classe A despencando 5,3 por cento, em cotações mínimas desde 2004, apesar do alívio na queda dos preços do minério de ferro à vista na China.

Os papéis da mineradora seguem pressionados pelas perspectivas desfavoráveis para a commodity, em meio à desaceleração da China e potenciais desdobramentos negativos do acidente com a Samarco no final de 2015. Vale PNA contabiliza declínio de mais de 30 por cento em 2016.

- USIMINAS voltou a ser negociada abaixo de 1 real, com queda de 5,8 por cento, diante do quadro desfavorável para o setor siderúrgico e minério de ferro.

A empresa segue com o plano de cortes de cerca de 4 mil postos de trabalho na usina siderúrgica em Cubatão (SP), e paralisação da produção de aço da unidade, segundo sindicato de metalúrgicos.

- RUMO ALL caía 6,1 por cento, após seu Conselho de Administração recomendar cancelamento do aumento de capital em curso, o que corroborava apreensão do mercado com o risco de diluição de capital e acesso a financiamentos para satisfazer necessidades operacionais. Na mínima, mais cedo, os papéis caíram quase 23 por cento.

- BRF tinha queda de 4,4 por cento. O Goldman Sachs cortou o preço-alvo das ações de 55 para 49 reais e manteve a recomendação de "venda".

Os analistas se mostraramm cautelosos, vendo risco de mais quedas potenciais até que haja mais visibilidade para as margens de exportação e a dinâmica competitiva no Brasil de alimentos processados.

JBS, que teve o preço-alvo reduzido de 19 para 12,80 no mesmo relatório, bem como a recomendação cortada para "neutra" ante "compra", cedia 4,9 por cento.

- SUZANO PAPEL E CELULOSE era uma das poucas altas do Ibovespa, com elevação de 0,6 por cento, amparada pela alta do dólar.

Analistas do Itaú BBA reiteraram avaliação positiva para o setor, citando que a fraqueza do real mais do que compensa o esperado recuo nos preços de celulose, que o setor tem pouca exposição à deterioração da economia brasileira e, por fim, que há elevado retorno sobre o patrimônio.

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