São Paulo - A Bovespa fechou no azul nesta sexta-feira em meio à recuperação de bolsas globais e do petróleo diante da expectativa de mais estímulos econômicos na Europa. O movimento, porém, perdeu força em relação à manhã, com Petrobras e Vale devolvendo ganhos.

O Ibovespa subiu 0,83 por cento, a 38.031 pontos. Na semana, o índice caiu 1,4 por cento. O giro financeiro do pregão foi de 5,4 bilhões de reais.

Comentários do presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, corrobororam apostas de mais estímulos econômicos, ao passo que o preço do petróleo no exterior subiu cerca d 10 por cento, tornando o mercado mais propenso ao risco.

"A semana foi marcada por muita volatilidade atrelada a preocupações globais, seja desaceleração econômica da China ou a onda de vendas no mercado norte-americano. Agora termina com uma cara de alívio, mas não significa que as preocupações acabaram", disse o analista Raphael Figueredo, da Clear Corretora.

No plano doméstico, a prévia da inflação oficial abriu o ano com desaceleração, mas teve o pior resultado para janeiro e o acumulado mais alto em 12 meses desde 2003, após o Banco Central deixar a taxa básica de juros estável.

DESTAQUES:

- PETROBRAS recuou 1,27 por cento nas ordinárias e 2 por cento nas preferenciais, apesar da alta do petróleo. No melhor momento do pregão, as ações PN chegaram a subir 6 por cento. Para o economista Hersz Ferman, da Elite Corretora, o movimento mostra que o mercado não está mais dando crédito para a empresa. "Está descolando das rivais, enquanto as concorrentes sobem com o petróleo, a ação da empresa cai". Além disso, como na segunda-feira é feriado e a Bovespa ficará fechada, os investidores podem ter tentado se proteger de eventuais notícias negativas, disse ele. -VALE tmbém reverteu e fechou em baixa de 1,9 por cento nas preferenciais, apesar do avanço de 2 por cento no preço do minério de ferro no mercado à vista na China. A mineradora informou pela manhã que a interdição judicial de operações no porto de Tubarão (ES) impedirá o embarque diário de 200 mil toneladas de minério de ferro por dia e a importação de 44 mil toneladas de carvão mineral. Analistas do HSBC avaliaram que a Vale poderá ter que interromper a produção no Sistema Sul caso não consiga reverter até domingo decisão judicial. Além disso, a Moody's colocou o rating da Vale em revisão para rebaixamento. - FIBRIA e SUZANO caíram 1,38 e 2 por cento, respectivamente. O Goldman Sachs elevou o preço-alvo das ações da Fibria para 47,20 reais, mas cortou o preço-alvo de sua ADR para 11,80 dólares. Para Suzano, o preço-alvo foi reduzido para 16,20 reais pelo banco.

- ELETROBRAS ganhou 3,4 por cento nas ordinárias, após o jornal O Globo afirmar que o governo federal fará uma capitalização de 5,95 bilhões de reais na empresa. A previsão do aporte, que equivale à segunda parcela do bônus de assinatura cobrado pelo governo no leilão de usinas hidrelétricas antigas em 2015, consta do Orçamento de 2016, sancionado semana passada pela presidente Dilma Rousseff.

- CPFL ENERGIA subiu 4,69 por cento, entre as maiores altas do Ibovespa. A Aneel divulgou a pauta da reunião de diretoria de terça-feira, na qual consta que a agência vai apreciar pedidos da CPFL para revisão extraordinária das tarifas. A empresa também disse que vai focar esforços em 2016 para cortar custos em suas sete distribuidoras e ampliar ações de combate à inadimplência.

- RUMO ALL teve nova baixa expressiva, de 25,7 por cento, ante de persistentes preocupações com o endividamento da empresa de logística ferroviária e em meio ao possível cancelamento de um aumento de capital.

Texto atualizado às 20h06

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