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O Barclays confirmou que está de olho no setor
São Paulo - A suspensão do Imposto sobre Operações Financeiras em compras de debêntures de longo prazo de companhias brasileiras por estrangeiros pode ajudar a criação de um mercado doméstico de dívida, o que tem interessado bancos como Barclays Plc e JPMorgan Chase & Co.
O governo eliminou os 6 por cento de IOF dessas operações em 1º de dezembro, abrindo espaço para investidores estrangeiros no mercado local de debêntures, avaliado em R$ 389 bilhões.
O volume de dívida corporativa no mercado disparou 18 por cento nos últimos 12 meses para mais de três vezes o que há na Rússia. Empresas brasileiras emitiram R$ 39,5 bilhões neste ano, mais que os R$ 36,8 bilhões registrados no mesmo período do ano passado, segundo dados compilados pela Bloomberg.
O corte do IOF é a mais recente medida adotada pelo governo para incentivar o crescimento da economia em meio à desaceleração mundial, e impulsionar empréstimos de longo prazo, enquanto o País procura financiar R$ 955 bilhões em investimentos em infraestrutura nos próximos quatro anos.
O JPMorgan vai aumentar suas contratações no ano que vem para o grupo que atuará com debêntures, disse Claudio Berquo, presidente da unidade. O Barclays começou a investir nesse mercado neste ano, disse Luciano Suana, chefe da área dívida.
“Investidores estrangeiros têm demonstrado muito interesse, mas o IOF era o maior obstáculo para eles”, disse Suana em entrevista por telefone de São Paulo. “Agora que isso foi retirado, acredito verdadeiramente que haverá muito interesse.”
Isenção tributária
Debêntures da Cia. Energética de Pernambuco com vencimento em 2017 pagam 11,82 por cento, enquanto títulos públicos com vencimento em 2017 rendem 11,05 por cento, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. O rendimento da maioria das debêntures é atrelado ao Certificado de Depósito Interbancário, o CDI. Aplicações em dívida pública ainda estão sujeitas aos 6 por cento de IOF.
A isenção foi parte de uma série de incentivos fiscais beneficiando uma gama de produtos que vai de macarrão a eletrodomésticos e foi anunciada pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, na semana passada.
O ministro afirmou que as medidas vão ajudar o País a crescer 5 por cento em 2012. Ontem, após a divulgação da estagnação do Produto Interno Bruto no terceiro trimestre, Mantega disse que o crescimento da economia este ano não deve chegar a 3,8 por cento como previa antes e deverá ficar perto de 3,2 por cento.
A eliminação do IOF para títulos atrelados a projetos de infraestrututura se soma a uma lei assinada pela presidente Dilma Rousseff em 27 de junho que desonerou o Imposto de Renda com debêntures para estimular estrangeiros e pessoas físicas a comprar os papéis.
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