São Paulo - Considerado um investimento seguro em momentos de turbulência econômica, o ouro tem chamado cada vez mais a atenção do mercado.

Em trajetória ascendente, a cotação do metal tem espaço para subir ainda mais em 2016, mas o ritmo de alta deve ser mais fraco do que no ano passado, segundo especialistas ouvidos por EXAME.com.

Em 2015, o preço do grama do ouro negociado na BM&FBovespa disparou 33,6%. Neste ano, a valorização chegou perto de 19% em fevereiro, considerando a cotação máxima no período.

Até a última quinta-feira (24), porém, quando o metal fechou cotado em R$ 144,48 o grama, a alta acumulada em 2016 havia desacelerado para 6,6%.

Edson Magalhães, diretor da corretora Reserva Metais, disse que a dinâmica do preço do ouro mudou entre o ano passado e 2016. Segundo ele, a perspectiva de aumento, no entanto, continua.

"Há dois fatores principais que mexem com a cotação desse metal no Brasil: o dólar e o preço do ouro no mercado internacional. Em 2015, o ouro não subiu muito lá fora, mas o dólar disparou por aqui. Neste ano, o dólar cai, mas o preço do ouro sobe no exterior", afirmou.

O avanço lá fora, diz Magalhães, reflete fatores de riscos geopolíticos, como os atentados do EI (Estado Islâmico) e o rumo dos juros nos Estados Unidos.

"Embora o Fed [banco central americano] tenha sinalizado que poderá fazer mais dois aumentos de juros neste ano, o mercado acredita que isso pode não acontecer, já que as taxas estão negativas na Europa e no Japão." 

O fato de que o dólar não deve cair muito mais em relação ao real também beneficia o cenário para o ouro, na avaliação de Mauro Calil, consultor financeiro do banco Ourinvest.

"O Banco Central voltou a fazer nesta semana leilões de swap cambial reverso, uma operação que não fazia há três anos. Foi um sinal claro de que a autoridade está confortável com o atual patamar da moeda e não pretende deixá-la se mover para distante disso", disse.

Para Eduardo Velho, economista-chefe da gestora Invx Global, o avanço do ouro neste ano deve ser limitado porque boa parte da aversão ao risco do mercado doméstico já foi precificada em 2015.

O clima adverso foi gerado, segundo ele, principalmente pela "gestão da política econômica, em particular da politica fiscal e dos efeitos da transmissão do dólar sobre a inflação futura, que gerou pressão nas taxas de juros e deterioração do prêmio de risco do Brasil".

"Esse contexto de aversão ao risco só seria ampliado com o prolongamento do governo Dilma na direção de uma política fiscal populista e de maior endividamento [cenário sem impeachment]", afirmou. 

Velho acredita que a alta acumulada pelo ouro em 2016 deve ser moderada, abaixo da taxa básica de juros, em torno de 14%.

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