O mercado começou a semana um pouco mais cauteloso após a aceleração das investigações da Lava Jato impulsionar a queda do dólar e a disparada da bolsa nas sessões anteriores. 

O ritmo de uma eventual mudança de governo é um dos fatores de dúvida. Outro risco seria a presidente Dilma Rousseff, diante do agravamento da crise, sucumbir às pressões do PT por mudanças na economia. 

Ainda persiste, contudo, o sentimento positivo do mercado com o aumento das chances de impeachment.

Caso se confirme uma mudança rápida de governo, um novo patamar para o dólar estaria mais para R$ 3,50 do que para R$ 3,00, diz João Pedro Ribeiro, analista da Nomura Securities em Nova York. 

Mesmo vendo o investidor mais interessado no Brasil com a possibilidade de impeachment, Ribeiro vê dois ”cenário extremos”: 1) concretização rápida do impeachment, o que levaria à expectativa de um governo que traga maior confiança ao País junto ao mercado; 2) processo mais demorado, que aumentaria o risco de guinada do governo Dilma para esquerda.

“Se cada passo do processo for muito lento, vai ser muito ruim para o mercado”, diz Fausto Gouveia, diretor da Az Legan Administradora de Recursos. 

Para ele, também será importante que o processo seja inquestionável legalmente e que o novo governo seja realmente comprometido com o livre mercado, as reformas e o ajuste fiscal.

Gouveia não acredita que o BC vá conter a queda do dólar. Em um cenário muito positivo, em que nenhum dos riscos se concretize e o fluxo fique muito forte, o dólar poderia ir a R$ 2,80 e R$ 3,30, o que traria um ”equilíbrio interessante” para a economia, favorecendo a redução da inflação e dos juros

“Seria um cenário do tipo céu de brigadeiro”, diz o executivo. Embora pondere que ainda é muito cedo para cravar um cenário tão positivo, Gouveia admite que os acontecimentos recentes ampliaram as chances de um impeachment mais rápido, que anime os investidores. “Pode ser questão de tempo.”

A consultoria Eurasia disse hoje que a chance de Dilma não terminar seu mandato aumentou de 40% para 55%, após na última sexta-feira já ter antecipado que essa probabilidade superava 50%. 

A Lava Jato atingiu ”um ponto de inflexão”, diz relatório da consultoria, que em 2014 manteve as previsões de vitória de Dilma mesmo quando ela foi desafiada pelos principais adversários nas pesquisas eleitorais.

A Eurasia justifica esta inflexão com a prisão de João Santana, que traz ”risco real” sobre a campanha de Dilma em 2014, e a delação premiada de Delcídio do Amaral, um ”insider”do Palácio do Planalto. 

A consultoria ainda cita o depoimento de Lula e especulações sobre o surgimento de novas delações premiadas. Por outro lado, se Dilma sobreviver, o cenário para reformas fica mais difícil. ”O PT vai se mover para a esquerda.”

Tópicos: Dilma Rousseff, Personalidades, Políticos, Políticos brasileiros, PT, Política no Brasil, Impeachment, Mercado financeiro, Operação Lava Jato