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Recompra | 24/08/2012 06:00

As 11 empresas que estão comprando as próprias ações

Maioria irá cancelar os papéis e gerar valor aos acionistas

FERNANDO MORAES/EXAME

Fachada do shopping Iguatemi

1,77% das ações da Iguatemi vão ser usadas para a bonificação de executivos da empresa

São Paulo – O momento desfavorável do mercado, com os preços das ações caindo, levou empresas como MRV, Banco do Brasil, JBS, Cyrela e Iguatemi a recomprarem as próprias ações no mercado. Apenas nos últimos 15 dias, 5 empresas listadas na BM&FBovespa anunciaram programas de recompra de suas próprias ações. Em julho, outras 6 já haviam feito o mesmo. Segundo dados compilados pela Bloomberg, no mesmo período, três empresas na Índia, uma na Rússia e nenhuma na China fizeram o mesmo.

Em um tempo de vacas magras na bolsa, a atuação de mais uma força compradora não é de se desprezar. A recompra é a opção escolhida quando a empresa considera que suas ações estão sendo sub-precificadas. “Nada mais que um investimento”, explica Antenor Fernandes, sócio da STK Capital. Além disso, isso sinaliza aos investidores que a companhia está bem financeiramente. “Uma empresa muito endividada não vai fazer isso”, diz Antenor. É um investimento e uma aposta no próprio negócio da empresa, que depois pode revender as ações a preços mais justos ou então cancelá-las, diminuindo sua base acionária e aumentando o lucro de seus acionistas.

Há também a possibilidade de utilizar os papéis em um programa de bonificação de executivos com opções de compra, como é o caso da Iguatemi, que vai recomprar 1,77% de suas ações com o objetivo de mantê-las em tesouraria para fazer frente ao plano de opção de compra de ações. As demais que iniciaram os programas a partir do segundo trimestre têm como objetivo a permanência das ações em tesouraria e posterior alienação ou cancelamento. Dessa forma, com uma base acionária menor, a empresa pode maximizar a geração de valor para os acionistas. Para Fernandes, as empresas que escolhem esse caminho são as que têm foco na rentabilidade do acionista.

“O natural é investir no crescimento, mas como a bolsa nem sempre reflete o valor dos negócios das empresas, a recompra de ações muitas vezes é um investimento melhor”, explica Antenor Fernandes. Ele completa dizendo que, como a empresa já conhece seu negócio e seu potencial de retorno, a relação entre o risco e retorno é mais favorável com a aquisição de suas próprias ações. Para Carlos Eduardo Rocha, sócio da Plural Capital, algumas empresas não têm a percepção do próprio valor delas e por isso não utilizam tanto esse recurso. “Essa atitude aumenta a confiança do investidor e é um dos melhores indicadores em relação ao desempenho da empresa”, explica. 

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