Os investidores se lançaram vorazmente às ações da Gol Linhas Aéreas Inteligentes depois que o Brasil permitiu o aumento da participação de companhias estrangeiras nas empresas aéreas locais, mas a euforia pode durar pouco.

A Gol, maior empresa aérea do Brasil em participação de mercado, subiu com a especulação de que a Delta Air Lines, que tem sede em Atlanta, EUA, e já possui 9,5 por cento da companhia, poderia ampliar sua participação para até 49 por cento. 

A pesada dívida da Gol e a perspectiva da pior recessão brasileira em mais de um século limitam o entusiasmo.

Em setembro, a Delta atuou como fiadora da Gol em um empréstimo a prazo de US$ 300 milhões. 

Com um aumento de participação para um nível mais próximo da tomada de controle, a empresa aérea dos EUA teria que assumir mais US$ 4,5 bilhões em compromissos -- cerca de US$ 2,5 bilhões em dívidas, mais US$ 2 bilhões em leasings de aviões, segundo Savanthi Syth, analista da Raymond James Financial.

“A parceria com a Gol é importante para a Delta e eu acredito que a Delta queira ver a Gol sem problemas de liquidez”, disse Syth. 

“Eles vêm encontrando maneiras de ajudar a Gol, mas claramente no curto prazo eles não parecem ter interesse em aumentar o nível de participação para o máximo possível”.

A Delta disse por e-mail que “respeita as iniciativas estudadas pelo governo brasileiro” e que preferia não fazer comentário adicionais. 

A Gol disse que recebeu a notícias sobre a mudança “positivamente”.

Aumento recorde

A Gol subiu mais de 50 por cento em 1o de fevereiro, maior alta da história, quando surgiu a notícia de que o governo estava planejando ampliar o limite. 

Na quarta-feira, a presidente Dilma Rousseff sancionou uma medida provisória permitindo que empresas estrangeiras sejam donas de até 49 por cento de uma empresa aérea brasileira, contra 20 por cento atualmente. 

As ações subiram 21 por cento, para R$ 2,73, em São Paulo, nível mais alto desde 21 de dezembro.

O Brasil está procurando atrair investimentos para as empresas aéreas domésticas, que passam por dificuldades em um momento em que a pior contração desde pelo menos 1901 reduz a demanda por viagens aéreas, especialmente entre viajantes executivos bem remunerados. 

As empresas aéreas, cujos custos com combustível e leasing de aeronaves normalmente são fixados em dólares, também sofreram o impacto da desvalorização de 33 por cento do real no ano passado.

“O cenário sombrio para as empresas aéreas no Brasil não mudou”, disse Pedro Paulo Silveira, economista-chefe da corretora Nova Futura. 

“No longo prazo, a medida poderia ajudar o setor no país, mas por enquanto é melhor manter a cautela”.

Audiência pública

O aumento do investimento estrangeiro permitido, que entrou em vigor na quarta-feira, é válido por 120 dias. Durante esse período, a Câmara dos Deputados e o Senado precisariam aprová-lo para transformá-lo em lei.

O Ministério da Aviação Civil e a agência reguladora Anac criaram uma força-tarefa para propor outras mudanças regulatórias para ajudar a reduzir as despesas das empresas aéreas e a atrair outras operadoras de baixo custo. 

As medidas, que a força-tarefa irá propor em duas semanas, serão posteriormente submetidas à aprovação pública.

Entre as mudanças estudadas estão a eliminação da exigência de as empresas aéreas acomodarem passageiros e pagarem suas despesas quando os voos são cancelados devido a problemas climáticos ou a outros fatores não diretamente controlados pelas operadoras.

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