São Paulo – É verdade que a genuína “Oktoberfest” alemã já acabou, mas o mercado financeiro estava animado para realizar a sua própria festa em outubro, em um tipo de comemoração antecipada para o final da crise da dívida dos países da zona do euro. Na semana passada, as bolsas em todo o mundo tiveram um rali há muito não visto. O Ibovespa, por exemplo, disparou 7,39% e alcançou a melhor semana desde maio de 2009.

O otimismo surgiu após os líderes da União Europeia (UE) terem anunciado um plano de recapitalização dos bancos. O VIX – índice do medo -amplamente analisado como uma medida de volatilidade do mercado - recuou quase 30% na semana passada. Além disso, os líderes e ministros da economia do G20 estiveram reunidos em Paris nesta sexta-feira e sábado para debater os novos rumos do plano para salvar a região do colapso financeiro.

"Ouvimos nossos colegas europeus em Paris dizer coisas encorajadoras sobre um novo plano global para enfrentar a crise no continente", disse o secretário do Tesouro americano,Timothy Geithner. A expectativa então se voltou para a cúpula da UE, que se reúne no próximo dia 23 de outubro. "Os resultados da cúpula de 23 de outubro serão decisivos", afirmou o ministro francês das Finanças, François Baroin.

Mas a Alemanha literalmente jogou água na cerveja nesta segunda-feira. O porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, ressaltou que o encontro de domingo em Bruxelas permitirá um avanço sensível para uma solução da crise, mas alertou que o problema não será resolvido. "A chanceler Angela Merkel advertiu que o sonho de ver o fim da crise a partir de segunda-feira não poderá se tornar realidade", declarou Seibert.

A avaliação foi suficiente para alterar o rumo das bolsas. Os mercados europeus, que operavam em alta, passaram a recuar. Nos EUA e no Brasil, as bolsas já iniciaram os negócios no campo positivo, isso a despeito de resultados positivos dos bancos Citigroup e Wells Fargo.

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