Aguarde...

Em baixa | 15/06/2010 11:22

Ações da Marfrig reagem mal ao projeto de internacionalização da frigorífica

Papéis da empresa caem após anúncio da compra da Kaystone Foods

Controle de qualidade na Marfrig

Marfrig terá liderança no fornecimento à empresas como McDonalds e Subway, mas não deu maiores informações sobre pagamento e despesas da aquisição

São Paulo - As ações do grupo Marfrig (MRFG3), um dos maiores do mundo em processamento de carne, recuavam 2,5% em uma hora de pregão após a notícia da aquisição bilionária da americana Kaystone Foods, por 1,26 bilhão de dólares. A aquisição foi divulgada na noite de ontem e entrega à Marfrig o posto de fornecedora internacional de grupos como o McDonald"s, o Campbell"s, o Subway e o Yum! Brands.

Apesar do notável avanço estratégico, a reação cautelosa dos mercados refletiria a falta de informações sobre a aquisição. "Existe uma preocupação com o nível de endividamento da empresa, que cresceu após a aquisição da Seara, por exemplo, e já estava alto no primeiro trimestre. Como o financiamento anunciado é via debêntures conversíveis em ações, a possibilidade de diluição da base acionista pode assustar", avalia o analista da Link Investimentos, Rafael Cintra. 

A habilidade de gestão da Marfrig e o potencial de geração de caixa depois de computar todas as despesas também são dúvida que pairam, diz a analista da Itaú Corretora Juliana Rozenbaum em avaliação. A Itaú corretora colocou em revisão a recomendação da Marfrig na manhã de hoje.

Vôos internacionais

As projeções para o negócio, no entanto, são positivas, diz Cintra. Para ele, o mercado deve mudar a direção após maiores detalhes com a teleconferência agendada pela diretoria da Marfrig para esta quarta-feira (16) às 9 horas. "A aquisição me parece positiva ao diversificar geograficamente a presença da empresa, e se alinhar com os projetos de Foodservice da Marfrig.  A perspectiva é que as ações subam após mais detalhes".

Sobre o financiamento da aquisição, a  empresa anunciou que vai emitir R$ 2,5 bilhões (ou cerca de US$ 1,3 bilhão) por meio de uma subscrição privada de debêntures conversíveis, com prazo de cinco anos. Os atuais acionistas do grupo terão direito de preferência na aquisição dessas debêntures.

O plano de internacionalização da frigorífica incluirá, também, maior acessibilidade aos investidores dos mercados americanos. A empresa informou ainda nesta manhã a aprovação da emissão de ADRS (American Depositary Receipt)  nível 1, em reunião do conselho administrativo da empresa nesta terça-feira (15). Cada ADR representa uma ação ordinária da companhia, e será negociado no mercado de balcão americano (Over-the-Counter - OTC). Segundo comunicado assinado pelo diretor de relações com investidores, Ricardo Florence, a intenção é ampliar as formas de acesso de investidores, principalmente aqueles domiciliados no exterior, e ampliar a liquidez das ações.

No mesmo documento, a Marfrig informa que não pretende emitir, por enquanto, novas ações.

Às 11 horas, o Ibovespa operava em terreno positivo, com alta de 0,60%.

Comentários (0)  

Editora Abril

Copyright © Editora Abril - Todos os direitos reservados