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FUNCEF | 14/06/2012 17:38

A estratégia de um fundo de R$ 48 bi contra o juro baixo

Como o fundo de pensão da Caixa está se preparando agora que a renda fixa não paga mais o suficiente para que a entidade cumpra suas metas

Wikimedia Commons

Brasília Shopping, na Asa Norte

Brasília Shopping, um dos empreendimentos imobiliários da FUNCEF

São Paulo – Os grandes investidores já estão se preparando para a era de juros reduzidos em que o Brasil e o mundo parecem estar entrando. Em palestra no 5º Congresso Value Investing Brasil, nesta semana, o coordenador da área de gestão ativa e renda variável da FUNCEF, Bruno Moreira Barbosa de Britto, explicou a estratégia do fundo de pensão da Caixa para se adaptar ao novo cenário: se voltar mais para ativos imobiliários, títulos de renda fixa atrelados à inflação e renda variável com foco em valor, ao mesmo tempo em que reduz o peso dos ativos atrelados à Selic na carteira.

“Atualmente os fundos de pensão já não conseguem bater suas metas atuariais investindo em títulos públicos”, disse Britto. A meta da FUNCEF é de 5,5% ao ano mais inflação pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), mas o coordenador explica que os títulos públicos atrelados à inflação, as NTN-Bs, vem pagando um juro real inferior a 5,5% ao ano desde fevereiro, o que torna o título insatisfatório para a meta do fundo. A NTN-B mais longa à venda atualmente vence em 2050 e paga um juro real de 4,85% ao ano.

Além de pesar mais a mão em ativos mais rentáveis e até de risco um pouco maior, o fundo também está alongando o perfil das carteiras, investindo em ativos de prazo maior, o que representa um ganho de rentabilidade. A FUNCEF aloca apenas 45% de seus 48 bilhões de reais de patrimônio em renda fixa, destinando à renda variável nada menos que 37% no total (o percentual para cada participante varia de acordo com a idade). Para os ativos imobiliários são destinados 7%, quase o limite de 8% permitido aos fundos de pensão.

Renda fixa

De acordo com Bruno de Britto, a FUNCEF vem reduzindo a participação de títulos públicos pós-fixados em sua carteira e preferindo aqueles atrelados à inflação. Hoje apenas 8% da carteira de renda fixa é atrelada à Selic, sendo 41% dela indexada a índices de inflação. Também compõem a carteira títulos de crédito privado. Neste grupo, a FUNCEF inclui também os recebíveis imobiliários, como Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e Fundos de Direitos Creditórios (FDICs) que investem nesses papéis lastreados em imóveis.

Leia mais sobre os fundos de crédito privado.
- Leia mais sobre as Letras de Crédito Imobiliário (LCI), espécie de CDB lastreado em imóveis e isento de IR para a pessoa física.

Ativos imobiliários

A FUNCEF é o fundo de pensão com maior percentual de ativos imobiliários em carteira, possuindo 16 shopping centers, cinco hotéis, quatro fundos de investimento imobiliário e cerca de 150 imóveis para renda. Entre os empreendimentos da FUNCEF estão o Hotel Renaissance, em São Paulo, e o Brasília Shopping.

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