São Paulo - Assim como o ano passado, 2016 não tem sido fácil para a renda variável. A Bolsa brasileira acumula perda em torno de 4% desde janeiro e analistas não enxergam espaço para uma retomada do Ibovespa tão cedo.

Mas há boas oportunidades para quem está disposto a garimpar e não tem pressa para obter retorno. Pelo menos essa é a visão de James Gulbrandsen, diretor da gestora americana especializada em mercados emergentes NCH Capital.

Em entrevista a EXAME.com, o responsável no Brasil pela gestora, que tem mais de US$ 3,2 bilhões sob custódia no mundo, citou quatro papéis que vê com bons olhos na Bovespa.

Grendene

O recuo perto de 5% da ação da fabricante de calçados Grendene (GRND3) neste ano não afasta o otimismo de Gulbrandsen com a companhia.

Dona de marcas conhecidas, como Melissa, Grendha, Rider e Ipanema, a Grendene tem uma vantagem sobre outras exportadoras, segundo o diretor: também tem demanda no mercado doméstico.

“No geral, as exportadoras brasileiras, incluindo a Grendene, têm se beneficiado da valorização do dólar nos últimos meses. Isso tem ‘salvado’ seus negócios”, disse.

“Mas o que diferencia a Grendene das demais é que, se o país sofresse uma reviravolta política que derrubasse a cotação da moeda americana, ela continuaria se dando bem. O mesmo não ocorreria com as produtoras de celulose, por exemplo”, completou.

Gulbrandsen justifica sua visão, entre outras coisas, com o perfil de produtos vendidos pela companhia. “Na crise, as pessoas deixam de tomar financiamentos de imóveis ou de carros, mas não adiam a compra de um chinelo.”

Ultrapar

Para o diretor, a Ultrapar (UGPA3) é uma das boas opções de defesa em um cenário negativo para a Bolsa. Isso porque o grupo possui empresas que atuam em diferentes setores.

“Se um dos setores vai mal, o desempenho é compensado por outros que vão bem”, afirmou. A Ultrapar é dona da distribuidora de gás Ultragaz e da distribuidora de combustíveis Ipiranga.

O grupo também atua no setor petroquímico, com a Oxiteno, e no setor farmacêutico, com a Extrafarma ---uma das dez maiores redes de drogarias do país.

Tem ainda a Ultracargo, maior provedora de armazenagem para granéis líquidos do Brasil.

Ambev

A fabricante de bebidas Ambev (ABEV3) também chama a atenção de Gulbrandsen. A empresa conseguiu elevar em 3% seu lucro em 2015, na comparação com o anterior, para R$ 12,423 bilhões.

“É uma companhia que sempre consegue aproveitar a conjuntura econômica. Se a economia vai bem, as pessoas bebem porque estão felizes. Se a economia vai mal, as pessoas bebem porque estão tristes”, disse.

Apesar de ter reduzido o volume de cerveja vendido no Brasil no último trimestre do ano passado, a Ambev conseguiu ampliar a receita nesse segmento.

O avanço foi de 8,4% frente a igual período de 2014, totalizando R$ 7,265 bilhões em cervejas vendidas no país. A própria companhia projeta um aumento entre 4% e 9% na receita líquida neste ano.

Raia Drogasil

A farmacêutica Raia Drogasil (RADL3) está na lista de Gulbrandsen pela predominância no setor e pela eficiência de gestão.

“A gestão da companhia é fantástica”, disse. “Ela faz com perfeição o que é mais difícil nesse setor: gerenciar o estoque. Há milhares de produtos que são vendidos em suas lojas e, se não houver controle sobre isso, o negócio vai por água abaixo.”

Segundo o diretor da NCH, boa parte dessa “excelência na gestão” da Raia Drogasil se deve à fusão que deu origem à companhia em 2011.

“A Droga Raia e a Drogasil tinham uma experiência centenária de gestão que foi potencializada com a união de suas operações”, afirmou.

Outra vantagem é o tamanho da empresa. Líder no setor, a Raia Drogasil consegue vender o mesmo produto que seus concorrentes por um preço menor, mas lucrando mais.

“Ela tem amplo poder de negociação com os fornecedores, o que é excelente para o negócio”, avaliou Gulbrandsen.

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