Moody’s diz que Espanha deve fazer ajuste de € 25 bilhões

A agência de classificação de risco aponta que as iniciativas anunciadas pelo governo espanhol até o momento representam um ajuste próximo de 15,3 bilhões de euros

Madri – A agência de classificação de risco Moody’s indicou nesta segunda-feira que para que a Espanha reduza seu déficit fiscal até 4,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2012 deverá fazer um ajuste de 40 bilhões de euros, dos quais ainda restam quase 25 milhões de euros após as medidas anunciadas pelo governo.

Em um relatório publicado nesta segunda-feira, a agência de classificação de risco aponta que as iniciativas anunciadas até o momento representam um ajuste próximo de 15,3 bilhões de euros, principalmente pelo corte de 8,9 bilhões em despesas ao congelar os salários dos funcionários e aumentar a receita em 6,3 bilhões, sobretudo pelo imposto sobre a renda.

Quanto às iniciativas do Executivo espanhol para reforçar a luta contra a fraude fiscal, por meio das quais seriam arrecadados 8 bilhões de euros adicionais, a Moody’s adverte que esta receita será ‘muito difícil de estimar e recuperar’.

A agência deixa a entender que não resta outra saída ao governo senão aplicar novos cortes para conseguir um ajuste de aproximadamente 25 bilhões de euros em um ano no qual espera que a economia espanhola se contraia entre 0,5% e 1%.

A Moody’s divulgou estas previsões depois que o governo de Mariano Rajoy anunciou que o déficit público em 2011 rondará os 8% do PIB, quase 22 bilhões de euros a mais do que o previsto.

De acordo com a agência, isto representa um ‘desafio’ para o novo governo, que já reconheceu um ligeiro déficit nas contas da Assistência Social frente ao superávit de 0,4% do PIB previsto.

A esse rombo será necessário somar o desajuste orçamentário do Estado, superior a 4,8% do PIB, assim como o das comunidades autônomas (regiões) e o das prefeituras.

A Moody’s também elogiou a rapidez do governo, afirmando que reflete seu compromisso com a consolidação fiscal, mas insistiu que é ‘necessário’ adotar mais medidas para que as finanças públicas da Espanha voltem ‘a um caminho sustentável’.