Mercado mostra estabilização antes de balanços nos EUA

São Paulo – Os mercados financeiros globais mostravam alguma estabilização nesta segunda-feira, com investidores dando uma pausa na onda de vendas que abateu ativos de risco na semana passada e na expectativa pelo início da temporada de balanços corporativos nos Estados Unidos.

O principal índice de ações da Europa operava perto da estabilidade, enquanto as bolsas de valores em Nova York tinham leve alta após a abertura. Após o pregão, a Alcoa, maior produtora de alumínio dos EUA, dá início à safra de resultados empresariais do país.

Ao final de uma aguardada reunião, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, afirmou que ele e a chanceler alemã, Angela Merkel, querem que Estados da União Europeia (UE) concluam as negociações sobre um novo tratato nos próximos dias, para que possa ser assinado até 1o de março. Junto a Sarkozy, Merkel disse que seu objetivo é não deixar que nenhum país saia da zona do euro em meio à crise de dívida.

Merkel afirmou ainda que ela e Sarkozy detectaram progresso para a implementação de um “pacto fiscal” na Europa, com um compromisso sobre um teto de dívida no estilo alemão vindo daqui a algumas semanas. A crise de dívida na zona do euro já dura mais de dois anos e tem alvejado economias como Itália e Espanha, que passarão por um teste nesta semana ao realizarem suas primeiras emissões de dívida neste ano.

O mercado teme que os custos de financiamento dessas nações subam a níveis insustentáveis e ameacem o bloco monetário e a economia mundial. O euro recuperava-se de uma nova mínima em 16 meses atingida nas operações asiáticas, favorecendo a queda do dólar ante uma cesta de divisas.

A moeda norte-americana também perdia terreno ante o real, enquanto a Bovespa superava os 59 mil pontos. A unit do Santander Brasil era um dos destaques de alta, após seu controlador aumentar o nível de capital, e com o anúncio de transferência de recibos de ações (ADRs) do banco brasileiro para a matriz. As projeções de juros oscilavam perto da estabilidade, com o mercado dando uma pausa após a forte queda da sexta-feira e reagindo ao novo corte na estimativa para a inflação neste ano.

Nesta sessão, o relatório Focus do Banco Central trouxe queda nas estimativas para a alta dos preços neste ano, com o prognóstico para a alta do IPCA em 2012 caindo para 5,31 por cento, ante 5,32 por cento na semana anterior. A perspectiva para a inflação em 12 meses, no entanto, subiu de 5,38 por cento, contra 5,33 por cento.

Mais cedo, a Fundação Getulio Vargas (FGV) informou que o Índice Geral de Preços-Disponibilidade Interna (IGP-DI) registrou deflação de 0,16 por cento em dezembro e fechou 2011 com alta de 5 por cento. Já o Índice de Preços ao Consumidor Semanal (IPC-S) acelerou a alta a 0,93 por cento na primeira quadrissemana de janeiro, ante taxa de 0,79 por cento na última leitura.


Veja como estavam os principais mercados às 13h26 desta segunda-feira:

CÂMBIO – O dólar era cotado a 1,8398 real, em queda de 0,60 por cento frente ao fechamento anterior.

BOVESPA – O Ibovespa subia/caía 0,84 por cento, para 59.095,51 pontos. O volume financeiro na bolsa era de 779 milhões de reais.

ADRs BRASILEIROS – O índice dos principais ADRs brasileiros subia 1,66 por cento, a 30.289,82 pontos.

JUROS – Os contratos de DI exibiam baixa, com o DI janeiro de 2013 em 10,050 por cento ao ano ante 10,070 por cento no ajuste anterior.

EURO – A moeda comum europeia era cotada a 1,2742 dólar, ante 1,2689 dólar no fechamento anterior.

GLOBAL 40 – O título de referência dos mercados emergentes, o Global 40, mantinha-se estável em 132,250 por cento do valor de face, oferecendo rendimento de 1,716 por cento ao ano.

RISCO-PAÍS – O risco Brasil caía 2 pontos, para 216 pontos-básicos. O EMBI+ cedia 1 ponto, a 375 pontos-básicos.

BOLSAS DOS EUA – O índice Dow Jones subia 0,28 por cento, a 12.394 pontos, o S&P 500 tinha alta de 0,25 por cento, a 1.281 pontos, e o Nasdaq registrava variação positiva de 0,25 por cento, aos 2.680 pontos.

PETRÓLEO – Na Nymex, o contrato de petróleo mais curto recuava 0,66 dólar, ou 0,66 por cento, a 100,93 dólares por barril.

TREASURIES DE 10 ANOS – O preço dos títulos do Tesouro norte-americano de 10 anos, referência do mercado, mantinha-se estável, oferecendo rendimento de 1,9561 por cento ao ano.