Ibovespa cai a níveis de março após reeleição de Dilma

Dilma é reeleita em disputa apertada com candidato do PSDB; ações da Petrobras despencam 14%; BTG Pactual recomenda papéis de setores "defensivos"

São Paulo – A Bovespa seguia no vermelho nesta segunda-feira, com o seu principal índice chegando a tocar níveis de março, um dia após a reeleição da presidente Dilma Rousseff, em meio a ajustes de posições a um cenário desafiador para a economia traçado por analistas e expectativa de anúncio da nova equipe econômica.

A bolsa paulista, contudo, abandonou as mínimas registradas logo após a abertura, quando o Ibovespa tocou os 48 mil pontos, com alguns investidores considerando o nível de preço do índice em dólar atrativo.

Outros já haviam antecipado a vitória da petista nos últimos dias.

O BofA Merrill Lynch também notou que investidores que buscam assumir posição de longo prazo (“long only”) não estão vendendo agressivamente, enquanto hedge funds estão cobrindo posições.

Também citou que a maioria dos retornos que recebeu de agentes do mercado indicam que investidores estão olhando mais a lista de compras do que a de vendas.

Às 15h13, o Ibovespa recuava 3,07 por cento, a 50.347 pontos, após marcar 48.722 pontos no pior momento pela manhã, em queda de 6,2 por cento.

O volume do pregão somava 13 bilhões de reais.

“O importante agora será a definição da equipe econômica de Dilma”, disse o gerente de renda variável da Fator Corretora, Frederico Ferreira Lukaisus, que, assim como outros gestores ouvidos pela Reuters, avalia que o mercado não deve dar o benefício da dúvida à presidente.

“O quadro agora é ainda mais binário. O mercado vai reagir bem a noticias positivas, mas qualquer outra notícia (mesmo que neutra) será encarada como negativa… E nesse escopo está incluído o anúncio da equipe (de Dilma). Nomes pró-mercado tendem a repercutir bem e vice-versa”, comentou.

Dilma venceu com 51,6 por cento dos votos válidos, contra 48,4 por cento do candidato do PSDB, Aécio Neves.

O placar foi mais apertado até do que o da eleição de 1989, quando Fernando Collor de Mello (PRN) derrotou Lula por 53,03 a 46,97 por cento.

No início da tarde, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, que vai deixar o cargo, disse que a área econômica trabalha com uma agenda de medidas destinadas a melhorar a atividade econômica, mas não entrou em detalhes, restringindo-se a dizer que há muito a ser feito até o término do ano.

PAPEL POR PAPEL

Entre as ações a pressionar o Ibovespa neste pregão, a queda dos papéis da Petrobras ultrapassava os dois dígitos, assim como os de outra estatal, a Eletrobras. O Banco do Brasil também caía.

No caso de Petrobras, o UBS colocou em revisão a sua recomendação de “compra” para o papel e o preço-alvo de 20 reais, citando que a volatilidade global dos preços do petróleo e altas incertezas políticas podem exercer pressão sobre a estatal.

Muitas outras ações também sofriam com a visão mais pessimista traçada por economistas para o país no curto prazo, como as dos bancos privados Itaú e Bradesco e de empresas do setor imobiliário.

A alta do dólar decorrente da aversão amparava ganhos de empresas como Fibira, Suzano e Braskem, que têm as receitas influenciadas por exportações.

Estrategistas do BTG Pactual recomendaram ações de setores “mais defensivos”, como de serviços financeiros, ou exposição à desvalorização do real após a reeleição de Dilma, entre elas Braskem e Suzano, além de Estácio.

Da safra de balanços, Hypermarcas reportou na sexta-feira à noite lucro líquido de 118,8 milhões de reais no terceiro trimestre, alta de 48,1 por cento na comparação anual.

Tractebel Energia, maior geradora privada de energia do país, divulgou na sexta-feira, também após o fechamento do mercado, alta de 34 por cento no lucro do terceiro trimestre, resultado bem acima do esperado pelo mercado.