Ibovespa cai pressionada por exterior e cautela com cena política

Às 12:20, o índice da bolsa brasileira caía 0,78 por cento, a 62.661 pontos. O giro financeiro era de 2,3 bilhões de reais

São Paulo – O principal índice da bolsa paulista operava em queda nesta quinta-feira, com o cenário externo mais desfavorável a ativos de risco e investidores evitando grandes apostas também diante das incertezas que rondam o cenário político local.

As ações de empresas elétricas eram destaque de alta após o governo apresentar propostas de reforma do setor.

Às 12:20, o Ibovespa caía 0,78 por cento, a 62.661 pontos. O giro financeiro era de 2,3 bilhões de reais.

No exterior, a ata da reunião de política monetária do Banco Central Europeu (BCE) mostrou que a autoridade monetária abriu a porta para retirar do comunicado uma promessa antiga de expandir ou prorrogar o programa de compra de ativos.

“A ata (do BCE) trouxe a sinalização de uma possível reversão na política monetária…, ao contrário da expectativa que era de expansão do programa de recompra de títulos”, escreveram analistas da corretora Coinvalores em nota a clientes.

Além disso, aumentaram os receios geopolíticos após os Estados Unidos alertarem na véspera que estão prontos para usar a força caso seja necessário para interromper o programa de mísseis da Coreia do Norte.

Localmente, o cenário também não oferece alívio, em meio à crise política que atinge o país, com agentes de mercado aguardando novidades sobre o andamento das reformas no Congresso Nacional e da denúncia contra Temer.

Destaques

– Braskem PNA tinha desvalorização de 2,56 por cento, liderando as perdas do Ibovespa. Como pano de fundo estava a informação de que a petroquímica poderá ser suspensa do segmento de negociação nível 1 da B3 depois de perder prazos para envio de balanços financeiros.

– Vale PNA caía 0,82 por cento e Vale ON perdia 1,18 por cento em sessão de baixa para os contratos futuros do minério de ferro na China.

– Itaú Unibanco PN recuava 0,95 por cento e Bradesco PN tinha baixa de 0,99 por cento, ajudando o tom negativo do Ibovespa devido ao peso dos papéis em sua composição.

– Petrobras PN subia 0,41 por cento e Petrobras ON recuava 0,15 por cento, com os papéis tentando firmar-se no azul em dia de alta para os preços do petróleo no mercado internacional, mas com o cenário político exercendo pressão sobre as ações. [O/R]

– Eletrobras ON saltava 12,25 por cento e Eletrobras PNB tinha valorização de 8,55 por cento, com os papéis entrando em leilão algumas vezes desde a abertura. Os ganhos vinham após anúncio do governo, na véspera, de proposta de ampla reforma para o setor elétrico, incluindo mecanismos para facilitar privatizações que devem incentivar vendas de ativos pela Eletrobras. Analistas do Credit Suisse avaliam que a proposta é complexa e ainda vai demandar aprovação no Congresso, mas a percepção inicial é positiva por refletir o objetivo de lidar com questões estruturais do setor e a indicação de benefícios financeiros relevantes para a Eletrobras.

– Copel PNB ganhava 2,73 por cento, enquanto Cemig PN tinha alta de 1,69 por cento, também amparadas nas propostas de reforma para o setor elétrico.

– CVC ON, que não faz parte do Ibovespa, subia 3 por cento, após a operadora de viagens divulgar crescimento de 15,8 por cento nas reservas confirmadas da CVC (Lazer) e da Experimento no primeiro semestre de 2017 ante o mesmo período de 2016. A equipe do BTG Pactual reiterou a recomendação de “compra” para as ações e disse que os números corroboram a visão positiva para o papel.